VEJA
O ritmo da crise provocada pela exposição da mais espantosa e abrangente máquina de corrupção já montada no país é de tirar o fôlego. Muitas vezes, são tantos os desdobramentos que parecem ultrapassar a capacidade de acompanhá-los. Por isso, recapitular o desenrolar dos acontecimentos tem dois efeitos importantes. Primeiro, reativar na memória fatos que, embora tão recentes – e vitais –, parecem superados pela constante avalanche de novas revelações. Mentiras, desmentiras, acusações que se comprovam genuínas, renúncias e quantidades cada vez mais alucinantes de dinheiro formam uma massa crítica capaz de calcinar tudo o que passa em sua órbita. Segundo, lançar a luz límpida da realidade sobre os fins da roubalheira sistêmica: sustentar o PT em suas múltiplas necessidades, comprar aliados em massa, cobrir gastos de campanhas passadas e montar o caixa de eleições futuras. Tudo isso feito pelos mais importantes colaboradores do presidente – hoje conhecidos, resumidamente, como "a quadrilha". O acompanhamento da evolução das declarações de Luiz Inácio Lula da Silva sobre a crise, desde o "olha para a minha cara para ver se estou preocupado", do fim de maio, até o "eles vão ter que me engolir" da quarta-feira passada, mostra um político sem controle, sem capacidade de entender a crise nem de liderar sua gente num momento crítico, sem real compromisso com o país além do palavrório vazio, sem apoios, sem noção, sem compostura. Sem, infelizmente, vergonha.
14/MAI
1. O fato fundador de toda a crise vem à tona na reportagem de VEJA sobre o esquema de corrupção nos Correios. Num vídeo gravado secretamente, o chefe do departamento de contratação e administração de material dos Correios, Maurício Marinho, relata a roubalheira generalizada. "Se pode roubar de tudo nos Correios", especifica, numa frase antológica. Marinho diz que atua em nome do PTB e do deputado Roberto Jefferson: "Ele me dá cobertura, fala comigo, não manda recado". No fim da conversa, num gesto gravado na memória nacional, embolsa um maço de 3 000 reais, a título de adiantamento de propina.
15/MAI
2. Marinho é afastado do cargo.
16/MAI
3. Caem o diretor de administração dos Correios, Antonio Osório Batista, e seu assessor imediato, Fernando Godoy.
4. Em entrevista ao programa Roda Viva, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, nega ter conhecimento de qualquer esquema nos Correios e entoa um desmentido clássico: "Este é um governo que não rouba, não deixa roubar e combate a corrupção".
18/MAI
5. Maurício Marinho diz que fez tudo sozinho e foi vítima de armação.
6. Os Correios cancelam licitação para a compra de 61 milhões de reais em medicamentos, processo comprometido citado explicitamente por Marinho num trecho da gravação.
18/MAI
7. Oposição pede a criação de uma CPI dos Correios.
21/MAI
8. VEJA reporta a pressão de Roberto Jefferson para obter mesada de 400 000 reais para o PTB em outra estatal, o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). O pedido foi feito a Lídio Duarte, então presidente do IRB, que posteriormente se demitiu.
24/MAI
9. Em depoimento à Polícia Federal, Maurício Marinho diz não ter ligações com Jefferson, nega a existência de um esquema de corrupção nos Correios e afirma de novo que foi vítima de "armação". Os 3 000 reais que embolsou eram pagamento de um "trabalho de consultoria". É indiciado por crime de corrupção passiva e fraude à licitação.
26/MAI
10. O governo tenta impedir a criação da CPI dos Correios liberando 12 milhões de reais em emendas para parlamentares da base aliada. A CPI é aprovada.
28/MAI
11. VEJA publica denúncia do senador Fernando Bezerra (PTB-RN) de esquema em andamento nos Correios para favorecer a Novadata – empresa de um amigo de Lula – em licitação milionária.
30/MAI
12. Técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU) encontram "indícios de irregularidades generalizadas" em licitações dos Correios. Todos os contratos viram objeto de escrutínio – o resultado desse trabalho ainda não foi divulgado.
"Olha para a minha cara para ver se estou preocupado", o presidente, a respeito da criação da CPI dos Correios, que o governo tentava sabotar
31/MAI
13. Tropa de choque desfecha "operação abafa" para torpedear a CPI. Expoentes: os deputados petistas João Paulo Cunha e Paulo Rocha e José Janene, do PP, cujos nomes voltarão a aparecer em contexto mais comprometedor. Eles fracassam.
2/JUN
14. Lídio Duarte, ex-presidente do Instituto de Resseguros do Brasil, depõe na Polícia Federal e qualifica de "fantasiosa" a reportagem de VEJA que dizia que o IRB arrecadava 400 000 reais por mês para o deputado Roberto Jefferson.
4/JUN
15. VEJA divulga fita com entrevista na qual Duarte conta detalhes sobre a arrecadação mensal ilícita feita a instâncias de Jefferson.
6/JUN
16. É o dia D do mensalão. Considerando que as denúncias que o envolvem são parte de uma conspiração para desestabilizá-lo, o deputado Roberto Jefferson dá a entrevista explosiva ao jornal Folha de S.Paulo na qual lança as acusações que crescerão como bola de neve. Fala pela primeira vez sobre a existência do suborno mensal de 30 000 reais feito a deputados da base aliada, em especial do PP e do PL. Nomeia seu principal operador: Delúbio Soares, tesoureiro do PT. Diz que relatou o fato ao presidente Lula e a ministros.
17. Por intermédio de terceiros, Lula confirma que de fato teve a reunião com Jefferson na qual o deputado falou sobre o mensalão.
18. O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), revela que também havia denunciado o mensalão, acrescido de um bônus por troca de partido, a Lula.
19. Os líderes do PT, PP e PL negam tudo. O petista José Genoíno: "O relacionamento do PT com outros partidos da base aliada se assenta em pressupostos políticos e programáticos"; Valdemar Costa Neto, do PL: tudo não passa "de invenção"; Pedro Corrêa, do PP: "Nunca soube" de deputados de seu partido recebendo o mensalão.
20. Citado por Maurício Marinho no vídeo da corrupção dos Correios como sendo um "homem-chave" do esquema de arrecadação de Jefferson, Roberto Salmeron deixa a presidência da Eletronorte.
7/JUN
21. Cai toda a diretoria dos Correios e do IRB.
"Não vamos acobertar ninguém, seja lá quem estiver envolvido. Cortaremos na própria carne, se necessário", a declaração mais positiva de Lula sobre a crise
8/JUN
22. No Conselho de Ética do Congresso, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, cava a própria e futura cova ao pedir a cassação do mandato de Roberto Jefferson, alegando que a denúncia do mensalão foi um ato de quebra de decoro parlamentar.
23. Marcos Vinícius Vasconcelos Ferreira, genro de Jefferson, pede demissão do cargo de assessor da Eletronuclear.
9/JUN
24. Instala-se a CPI dos Correios. O governo briga e leva os dois postos-chave: a presidência e a relatoria.
25. A Polícia Federal prende por alguns dias os quatro acusados de ter gravado o vídeo da corrupção dos Correios, feito por encomenda de um empresário contrariado. Até hoje, foram os únicos presos de toda a crise.
12/JUN
Ana Araujo![]() |
26. Na segunda entrevista-bomba à Folha de S.Paulo, Roberto Jefferson amplia o ataque. O dinheiro do mensalão, termo já consagrado, vinha de estatais e empresas privadas e chegava a Brasília em malas. As negociações se davam numa sala ao lado do gabinete do ministro José Dirceu, onde ficava instalado o secretário-geral do PT, Silvio Pereira. Pela primeira vez, cita o nome do personagem que se tornaria o símbolo da crise: o publicitário mineiro Marcos Valério, apontado como operador do mensalão. Informa ter negociado com o PT uma ajuda de campanha "por fora" de 20 milhões de reais em cinco parcelas, mas só recebeu a primeira, de 4 milhões.
27. Os acusados refutam todas as acusações de Jefferson. José Janene, líder do PP, diz que ele é "louco, canalha e maníaco-depressivo"; José Dirceu, que "quer se transformar em vítima, mas é réu"; Genoíno nega que Marcos Valério seja operador de mensalão. Todos ameaçam processar o deputado.
13/JUN
28. A goiana Raquel Teixeira, deputada licenciada do PSDB, afirma que recebeu oferta em dinheiro para trocar de legenda, mas não conta de quem partiu a proposta.
14/JUN
29. Em histórica sessão do Conselho de Ética da Câmara, Jefferson faz picadinho dos adversários. Confirma todas as denúncias, assume que recebeu (e guardou) 4 milhões em caixa dois, reitera que José Dirceu era o comandante do esquema do mensalão. Como um anjo vingador de camisa lilás, profere: "Dirceu, se você não sair daí rápido, vai fazer réu um homem inocente, que é o presidente Lula". Cita nominalmente como beneficiários do suborno José Janene (PP), Valdemar Costa Neto (PL), Pedro Corrêa (PP), Sandro Mabel (PL), Bispo Rodrigues (PL) e Pedro Henry (PP). Todos negam.
30. Dirceu descarta demissão ou afastamento do cargo.
31. Silvana Japiassu, secretária particular de João Paulo Cunha (PT), diz ter ganho passagens aéreas e hospedagem de Marcos Valério e que este era visto com freqüência no gabinete do deputado.
Paulo Filgueiras/Ag. O Globo![]() |
32. Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária de Marcos Valério, diz em entrevista à revista IstoÉ Dinheiro que viu malas de dinheiro saírem das agências do publicitário e que seu patrão viajava para Brasília em jatinho do Banco Rural. O empresário mantinha contatos com José Dirceu, Delúbio e Silvio Pereira. A entrevista é maculada pela origem suspeita, mas as informações conferem com o perfil operacional de Marcos Valério que começa a se consolidar.
33. É pedida a instauração de mais uma CPI, a da Compra de Votos – popularmente, a do Mensalão.
15/JUN
34. Secretário-geral do PP, Benedito Domingos é o primeiro a confirmar o mensalão. A distribuição do dinheiro, diz, era feita no apartamento do deputado José Janene.
16/JUN
Celso Junior/aE ![]() |
35. Cai José Dirceu.
17/JUN
36. Roberto Jefferson se licencia da presidência do PTB.
18/JUN
37. Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher do deputado Valdemar Costa Neto, diz que ele agia em estreita sintonia com Delúbio Soares. Menciona uma contribuição ilegal do governo de Taiwan para a campanha de Lula.
21/JUN
"Ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética do que eu para fazer o que precisa ser feito neste país", inaugura a longa série de tautologias e auto-elogios em que embarca o presidente
22/JUN
38. Mais uma CPI: o Supremo Tribunal Federal determina ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), que nomeie os senadores para compor a CPI dos Bingos, efetivamente ordenando sua instalação.
39. O TCU (Tribunal de Contas da União) aponta "sobrepreço" em dois contratos da empresa Skymaster Airline, sediada em Manaus, com os Correios. Mais uma denúncia de Jefferson ganha contornos de realidade.
40. Em depoimento ao Conselho de Ética, a deputada licenciada Raquel Teixeira diz que recebeu oferta de 30 000 reais mensais mais 1 milhão de luvas para trocar o PSDB pelo PL, feita pelo líder do partido na Câmara, Sandro Mabel. Ele nega tudo e diz que Raquel foi quem o procurou querendo mudar de partido.
23/JUN
41. Anunciada a saída de Aldo Rebelo, ministro da Coordenação Política, vítima da reforma ministerial com que Lula pretende recompor o chão que lhe some sob os pés.
42. Em seu primeiro depoimento desde o início da crise, na Corregedoria da Câmara, José Dirceu nega todas as acusações feitas por Roberto Jefferson e diz que conhece Marcos Valério de passagem, tendo conversado com ele algumas vezes por telefone.
100 fatos
25/JUN
43. Marcos Valério afirma em entrevista a VEJA ter feito saques de quantias vultosas em dinheiro para comprar gado: "Lido com gado. Há fazendeiros que simplesmente não aceitam cheque". José Dirceu? Esteve "quatro ou cinco vezes na ante-sala" do ex-ministro para discutir política com Sandra Cabral, assessora-chefe da Casa Civil. As sucessivas visitas à sede do PT em Brasília haviam sido para "tomar um cafezinho com meu amigo Delúbio. Discutíamos futilidades e um pouco de política".
30/JUN
44. Roberto Jefferson relata à Folha de S. Paulo o desvio de 3 milhões de reais mensais da estatal Furnas Centrais Elétricas. Aponta como fonte o diretor de engenharia da estatal, Dimas Toledo. Divisão do butim: 1 milhão para o PT nacional, 1 milhão para o PT de Minas e o milhão restante era rachado entre a diretoria de Furnas e um pequeno grupo de deputados.
45. Caem Dimas Toledo e mais dois diretores de Furnas.
Dida Sampaio/AE![]() |
46. Em discurso em Goiás, Delúbio Soares chora e diz: "Imaginem se o PT ia comprar voto de deputado, se ia carregar malas de dinheiro". Segundo ele, por trás de tudo está um movimento de direita que almeja o impeachment do presidente. "E vou dar nomes: a revista VEJA, o Estadão e a Folha de S.Paulo", acusa.
1º/JUL
47. Constata-se que os saques feitos por Marcos Valério no Banco Rural e no Banco do Brasil coincidem com o troca-troca partidário para PL, PTB, PT e PP, partidos da base aliada do governo. Segundo o Coaf, entre agosto e outubro de 2003 Valério sacou 6,4 milhões de reais.
2/JUL
48. Aparecem as assinaturas comprometedoras: VEJA revela que Marcos Valério foi avalista, junto com Delúbio e Genoíno, de um empréstimo ao PT de 2,4 milhões de reais no BMG, em Belo Horizonte, em 2003. Consultado, Genoíno nega.
49. À noite, Genoíno volta atrás e admite tudo – mas diz que assinou "sem ler".
3/JUL
50. Reportagem da Folha de S. Paulo mostra que pelo menos cinco fundos de pensão ligados a estatais têm contratos com a Globalprev Consultores Associados, de dois ex-sócios do ministro da Comunicação e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken.
4/JUL
51. Silvio Pereira pede afastamento do PT. É o início do massacre de julho, quando rolam cabeças sem parar.
5/JUL
52. José Borba, que antes dizia conhecer Valério apenas en passant, renuncia à liderança do PMDB na Câmara.
53. Delúbio Soares também rola.
6/JUL
54. Marcos Valério define-se na CPI dos Correios como "um brasileiro normal". Os vultosos saques eram para "pagar a fornecedores". Mensalão? Desconhece. Tampouco foi favorecido em concorrências públicas. Admite: "amizade" com Delúbio Soares ("Ele é bicho do mato, como eu"), o aval ao empréstimo já comprovado de 2,4 milhões de reais para o PT e intermediação de contatos do partido com os bancos BMG, Rural e Opportunity.
"Estão querendo mexer na minha vida privada. Isso é uma baixaria, um golpe baixo, um desrespeito", Lula, sobre as reportagens mostrando a extraordinária evolução de seu filho Fábio, sócio de uma pequena empresa de games na qual a Telemar investiu 5 milhões de reais
9/JUL
55. Cai José Genoíno.
56. Cai Marcelo Sereno, secretário de Comunicação do PT e braço-direito de Dirceu.
57. José Adalberto, o homem-cueca, é demitido pelo deputado Guimarães
12/JUL
58. Luiz Gushiken é rebaixado. A Secretaria de Comunicações perde o status de ministério.
14/JUL
59. Relatório do Coaf mostra que o auxiliar Luiz Eduardo Ferreira da Silva, a serviço da Previ, sacou 326 660,67 reais da conta da DNA Propaganda, de Valério, numa agência do Banco Rural. Silva diz que nunca fez saque desse valor. No dia seguinte, diante de um grupo de auditores da Previ, lembrou-se de ter buscado um pacote para o então diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, que comprou um apartamento de 400 000 reais em Copabacana pouco mais de um mês depois da retirada.
60. Cai Pizzolato.
15/JUL
61. Em entrevista ao Jornal Nacional, Marcos Valério desfecha o que se tornaria conhecido como a Operação Paraguai: admitir vultosos empréstimos ao PT, a título de pagamento de despesas de campanha. O esquema de corrupção ficaria assim confinado ao campo dos deslizes eleitorais.
16/JUL
62. Apesar do descrédito generalizado, Delúbio Soares embarca na mesma operação: assume o caixa dois. Tudo iniciativa exclusivamente dele, jura.
17/JUL
63. Em desastrosa entrevista a uma jornalista brasileira na França, levada ao ar pelo Fantástico, Lula segue o mesmo tom: o PT não fez nada além do que "é feito sistematicamente" – financiar campanha com o caixa dois.
19/JUL
64. Silvio Pereira diz à CPI dos Correios que nunca ouviu falar em mensalão e não era próximo de Valério. Perguntado sobre um Land Rover de sua propriedade, afirma: "Tudo o que tenho está quitado, está no imposto de renda".
65. À noite, o Jornal Nacional mostra que o Land Rover Defender verde-escuro foi comprado pela empreiteira baiana GDK e registrado em nome de Pereira. A empreiteira tem contratos de 272 milhões de reais com a Petrobras.
66. Documentos obtidos pela CPI dos Correios relacionam quem sacava quanto e para quem nas agências do Banco Rural em Brasília e BH: pessoas ligadas ao ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto, ao ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), aos deputados Josias Gomes (PT-BA), Paulo Rocha (PT-PA), José Janene (PP-PR) e Bispo Rodrigues (PL-RJ). O ex-tesoureiro nacional do PL Jacinto Lamas sacou 200 000 reais. Adauto admite que recebeu uma "ajuda" do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares para saldar dívidas de campanha. Josias Gomes foi o único a comparecer, na agência de Brasília, para fazer duas retiradas de 50 000 entre agosto e setembro de 2003. A mulher de João Paulo Cunha, Márcia Milanésio Cunha, aparece com 50 000, e a assessora do líder do PT na Câmara, Anita Leocádia, sacou, no total, 320 000. Caem por terra desculpas como "consulta neurológica" (Rocha), "pagar conta da TV a cabo" (Cunha) e outras extravagâncias sobre as visitas suspeitas à agência do Rural.
08/JUL
Mauri Melo/AE![]() |
67. O homem-cueca estréia na política nacional com grande estrépito. O cearense José Adalberto Vieira da Silva é preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com quase 450 000 reais em dinheiro vivo – 200 000 reais em uma mala e 100 000 dólares na cueca. Ele é assessor parlamentar de José Nobre Guimarães, deputado estadual e líder do PT na Assembléia Legislativa do Ceará e irmão do presidente nacional do PT, José Genoíno.
20/JUL
68. Zilmar Fernandes da Silveira, sócia do publicitário Duda Mendonça, que fez a campanha presidencial de Lula, aparece como sacadora de 250 000 reais da conta da SMPB em abril de 2003. Em nota, ela informa que a empresa CEP (Comunicação e Estratégia Política), da qual é sócia, recebeu 500 000 reais do PT como pagamento por serviços.
69. "Tinham me falado que não iria aparecer nada", diz João Paulo Cunha ao explicar por que mentiu, atribuindo a ida de sua mulher à agência do Rural a um pagamento de TV a cabo.
21/JUL
70. O vice-presidente da empreiteira baiana GDK, César Oliveira, admite que comprou o Land Rover para Silvio Pereira, "de amigo para amigo".
71. Luiz Gushiken é rebaixado de novo: deixa a Secretaria de Comunicação, que é desmembrada, e se torna "assessor" de Lula.
72. Sai nova lista do valerioduto: saques chegam a 25 469 500 reais.
22/JUL
Reprodução/Ag. O Globo![]() |
73. Silvio Pereira admite que levou o Land Rover na faixa e pede sua desfiliação do PT. E ainda ressalva: "Nada ofereci ou me foi pedido em troca".
"Neste país pode ter igual, mas não tem mulher nem homem que tenha coragem de me dar lição de moral e de honestidade"
23/JUL
74. Manobra de Marcos Valério é revelada em reportagem de VEJA: em contato com João Paulo Cunha no dia 9 de julho, ameaçou "estourar tudo". Em troca de colaboração, exigiu não ser preso e 200 milhões de reais em dinheiro legalizado. Cunha avisou Delúbio e Dirceu. Posteriormente, Valério concordou com a manobra de atribuir a dinheirama apenas a despesas de campanha.
75. O deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), relator da recém-criada CPI do Mensalão, aparece em reportagem da revista Época como beneficiário de dois depósitos, não contabilizados, como diria Delúbio, das empresas de Marcos Valério, no total de 150 000 reais. "Não há conflito algum. Estou apurando o mensalão, que pressupõe uma contribuição periódica para votar com o governo", diz o deputado.
26/JUL
76. Reportagem de O Globo revela que Marcos Valério tomou um empréstimo de 11,7 milhões de reais no Banco Rural em 1998 para financiar a campanha à reeleição do então governador mineiro Eduardo Azeredo, atual senador e presidente nacional do PSDB, e de aliados seus. O empréstimo não foi pago, o banco executou a dívida e em abril de 2003 aceitou receber 2 milhões de reais para liquidar o débito.
Ana Araújo![]() |
77. Depoimento da senhora Valério, Renilda Maria Santiago de Souza. Notavelmente desinformada sobre todo o conjunto da vida financeira do casal e das empresas das quais é sócia, lembra-se de um único fato relevante: José Dirceu "sabia dos empréstimos" e participou de reunião para discutir o problema com diretores dos bancos Rural e BMG no ano passado.
28/JUL
78. Delúbio Soares fala à Procuradoria-Geral da República: relata dois empréstimos no total de 5,4 milhões de reais contraídos pelo PT e avalizados por Marcos Valério que foram usados para custear despesas do partido na transição de governo e até as festividades de posse de Lula. O Planalto nega.
79. O presidente regional do PSDB de Minas Gerais, Narcio Rodrigues, admite a existência de um esquema "paralelo" de financiamento de campanha na eleição estadual de 1998, em que Eduardo Azeredo e aliados foram beneficiados. Diz que o comando do partido não participou do esquema.
29/JUL
80. O deputado Professor Luizinho (PT-SP) admite que José Nilton dos Santos – antes um "homônimo" –, listado num saque de 20 000 reais do valerioduto, é mesmo seu assessor. Aparecem outros três deputados envolvidos nos saques: Romeu Ferreira de Queiroz (PTB-MG), João Magno (PL-MG) e Vandeval dos Santos (PL-SP).
81. João Cláudio Genu, assessor do PP, diz na PF que pegava dinheiro mandado por Valério ao Rural de Brasília, orientado pelos deputados José Janene e Pedro Corrêa. Levava-o em malas "tipo 007" para a sala do partido no Congresso Nacional. Total confirmado dos saques: 850 000 reais.
82. O irmão do ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas, Antônio de Pádua Lamas, aparece como sacador de 350 000 reais em 7 de janeiro de 2004. Na época, era assessor da liderança do PL na Câmara.
30/JUL
83. VEJA revela que Roberto Marques, citado na lista de repasses das empresas de Marcos Valério como autorizado a sacar 50 000 reais, é amigo e colaborador de Dirceu. Chovem desmentidos.
1/AGO
84. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP), renuncia ao mandato de deputado depois de admitir que recebeu um dinheiro do PT ("Fui induzido ao erro"). Mas era só para pagar dívidas de campanha, ressalva, nadinha de mensalão. Como não pode mais ser cassado, fica livre para disputar as próximas eleições.
85. Maria Ângela Saragoça, uma das ex-senhoras Dirceu, conseguiu via Valerio e Rural: a) um emprego de meio período; b) um empréstimo para comprar um apartamento; c) vender seu antigo imóvel. Comprador: Rogério Tolentino, sócio de Valério. Exposta pelo jornal Estado de Minas, disse que se sentiu "usada por este senhor".
86. O total do dinheiro sacado pelos beneficiados por Valério, segundo lista entregue pela diretora financeira Simone Vasconcelos, atinge a marca dos 55 804 000 reais. Maior beneficiária, com 15 milhões: Zilmar Fernandes, sócia numa agência de Duda Mendonça, o publicitário de Lula.
2/AGO
87. O grande duelo Jefferson versus Dirceu parece modorrento até que vem a bomba. Segundo Jefferson, o ex-ministro articulou uma viagem a Lisboa de Valério e de Emerson Palmieri, ex-tesoureiro do PTB, para "negociar" com a Portugal Telecom. O objetivo era resolver reclamações financeiras do PTB (os assombrados 20 milhões prometidos e não pagos pelo PT). O dinheiro seria gerado pela transferência de 600 milhões de dólares do IRB (aquele que aparece lá no começo da crise) para o Banco Espírito Santo, acionista da Portugal Telecom. Jefferson também envolveu Lula pela primeira vez ao dizer que Dirceu intermediou uma visita do presidente da Portugal Telecom, Miguel Horta e Costa.
88. "Não é verdade, não é fato. Nunca tive relação com a Portugal Telecom. Trata-se de uma mentira", retorquiu Dirceu. Marcos Valério? "Esteve na Casa Civil acompanhando a direção do Banco Rural, umas duas vezes."
Lula Marques/Folha Imagem![]() |
89. E Valério diz que foi a Portugal tratar de negócios envolvendo suas empresa. Palmieri, um "amigo", estava estressado e foi junto para repousar.
90. A lista de beneficiários das verbas repassadas por Marcos Valério inclui Márcio Lacerda, secretário executivo do Ministério da Integração Nacional, cujo titular é Ciro Gomes.
2/AGO
91. Lacerda diz que os 457 000 reais que recebeu pagaram dívidas da campanha de Lula à Presidência.
92. É exonerado.
93. O escritório de advocacia do ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira esclarece: os 185 000 reais recebidos via Valério em 2003 pagaram honorários por serviços prestados no caso do assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. O contratante era o Diretório Regional do PT.
3/AGO
Jefferson Coppola/Folha Imagem![]() | "Se eu for, com ódio ou sem ódio, eles vão ter que me engolir outra vez." Lula, lançando a candidatura à reeleição |
94. A agenda da Casa Civil, disponível no site, registra: no dia 11 de janeiro – treze dias antes da viagem a Portugal – José Dirceu recebeu Valério e Ricardo Espírito Santo, do banco homônimo.
95. Divulgada reportagem do jornal Expresso na qual o ex-ministro português António Mexia diz que em 2004 se reuniu em Lisboa com Marcos Valério, que se apresentou como "consultor" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
96. Cai o presidente da Casa da Moeda, Manoel Severino dos Santos, um dia depois de seu nome ser sugado pelo lamaçal, com saques de 2,7 milhões de reais e pelo menos sete encontros documentados com Valério.
97. O deputado José Nobre Guimarães, irmão de Genoíno e ex-chefe do homem-cueca, admite ter passado no valerioduto. Montante: 250 000 reais. Motivo? Dívida de campanha, claro. E a história dos dólares escondidos naquele lugar? Nada a ver.
4/AGO
98. Jefferson volta atrás nas acusações contra Lula. "Não posso dizer se o presidente soube ou não do encontro do José Dirceu para tratar do esquema Portugal Telecom". Outra: "O Dirceu não teria condições de fazer tudo sozinho. Para mim, passa por José Dirceu e pelo Gushiken, tem inteligência do governo".
99. Na CPI dos Bingos (lembram-se?), diretores da multinacional GTech, que opera as loterias da Caixa Econômica Federal, reafirmam que sofreram tentativa de extorsão no valor de 6 milhões de reais no início do governo Lula. Acusados: Rogério Buratti e Waldomiro Diniz, ex-assessores dos ministros Antonio Palocci e José Dirceu, respectivamente.
5/AGO
100. "Algum banqueiro daria aval para Delúbio e Valério? Os bancos só deram aval porque sabiam que por trás tinha um conforto, uma garantia", diz Valério em entrevista a O Estado de S. Paulo, na qual confirmou, por fim, o esquema do mensalão. "Além do Dirceu, toda a cúpula do PT sabia." E mais virá: "Vou contar tudo o que sei, mas não de uma vez. Vou contar devagarinho e vou fazer um estrago, um barulhão".









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