Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, junho 09, 2006

Eliane Cantanhede - Vexame


Folha de S. Paulo
9/6/2006

"Não posso me substituir ao Congresso Nacional e insistir na
verticalização pura." A frase foi proferida ontem pelo presidente do
TSE, Marco Aurélio de Mello, durante a nova votação sobre a
verticalização das eleições.
Curiosa a decisão, curiosa a reação do ministro. A decisão porque
revoga a anterior em menos de 48 horas. A do ministro, porque ele
disse que não podia fazer algo que tinha justamente feito na véspera:
substituir o Congresso e insistir na verticalização pura.
A reviravolta de ontem, projetada desde cedo pelas declarações de
Marco Aurélio, que oscilaram até a última hora, é uma vitória -
enfim!- dos partidos sobre os tribunais. Foi pela pressão deles,
especialmente do experiente PFL, que os ministros voltaram atrás.
Anteontem, ainda em meio ao caos criado pelo veto a coligações
estaduais de partidos "soltos" (sem candidato à Presidência), a
cúpula pefelista fez quatro perguntas ao presidente do TSE. Ele não
soube responder nenhuma delas. Reconheceu-se confuso. Na reunião da
Executiva pefelista, já ontem pela manhã, a decisão foi aguardar uma
nova manifestação do plenário do TSE e não fazer nada até ela. Os
pefelistas já sabiam que o tribunal recuaria, apesar de o ministro
manter a tensão e a ansiedade até o último minuto.
Dessas quase 48 horas, ficam alguns dados de avaliação: Marco Aurélio
continua sendo o voluntarioso Marco Aurélio; o quadro partidário-
eleitoral está, de fato, uma bagunça infernal; e a aliança PFL-PSDB
em torno de Alckmin fraquejou muito facilmente. No primeiro sopro,
balançou. Mau sinal.
Recuar é doloroso e às vezes tem méritos. Não nesse caso, que é um
grande vexame. Andaram brincando com coisa séria. Ou nem eleição é
mais séria neste país?

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