quinta-feira, setembro 08, 2005

CLÓVIS ROSSI Generais sem ônus

folha de s paulo
 SÃO PAULO - O leitor Fabiano Adamy (Concórdia, SC) pinça o seguinte trecho do artigo do deputado José Dirceu (PT-SP) que esta Folha publicou dias atrás: "Estou na linha de tiro, mas o objetivo das forças que me atacam é interromper o processo de organização dos trabalhadores e de consolidação de uma alternativa popular para o país".
Alternativa popular sob a liderança do "companheiro" Henrique de Campos Meirelles, notório comandante revolucionário? Seria apenas ridículo, não fosse, antes, maroto.
José Dirceu finge que ainda é o jovem líder de passeatas contra a ditadura quando começa a ser o Paulo Maluf da esquerda.
Maluf, sempre que lhe perguntam sobre suas contas no exterior, responde: "Eu fui o melhor prefeito que São Paulo jamais teve".
Dirceu aprendeu: acusado de corrupção, responde como se fosse um subversivo perseguido pelas forças reacionárias.
Pode até colar com os petistas que se demitiram da obrigação de pensar, mas, para o público em geral, vale observação feita por outro leitor, Kenneth R. Thompson, com a vantagem de introduzir um olhar estrangeiro sobre a crise (britânico, está no Brasil desde 1979).
Escreve Thompson: "Acompanho o teledrama atual "Lula sabia ou não?" e faço um paralelo militar. O general permite que seus comandados tomem um vilarejo, estuprando e matando um monte de civis não-combatentes. Depois alega ignorância das atividades dos seus comandados. Não sei por que se perde tempo com uma questão desse tipo. É óbvio que o general é inepto para a função, já que foi generosamente remunerado para ser responsável".
Termina assim: "Se a campanha militar tivesse dado certo, o general estaria na frente da fila para condecorações. Ônus junto com bônus parece uma postura lógica".
Vale para Lula, vale para Dirceu. Menos no Brasil, caro Thompson.

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