União, estado e município se juntaram para resolver a crise da saúde no Rio, e a população deve cruzar os dedos para que as desavenças de praxe não envenenem o novo clima de entendimento, que já produziu a Comissão Metropolitana de Saúde, com representantes de 20 municípios da região metropolitana.
A idéia da Comissão é estabelecer na capital e na Baixada uma rede única de atendimento. Sua primeira tarefa será criar um banco de vagas: se o primeiro hospital procurado pelo paciente estiver lotado, uma rápida consulta indicará onde poderá ser atendido. O serviço cobrirá todas as unidades, sejam administradas pela União, pelo estado ou pelos municípios da região metropolitana. Com a consulta ao banco evitam-se ao mesmo tempo a correria cega pelos hospitais em busca de vaga e a sobrecarga das unidades mais bem localizadas e aparelhadas.
Além da central de vagas, estão em estudo o aumento do número de leitos nos hospitais, a abertura de policlínicas funcionando 24 horas por dia e a ampliação do programa Médico de Família e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.
Mais importante do que o anúncio desses projetos, que segundo o secretário nacional de Atenção à Saúde, José Gomes Temporão, devem começar a surtir efeito ainda este ano, é o reconhecimento de que só com programas integrados será possível melhorar o atendimento hospitalar no Rio. Capital de estado e ex-capital da República, a cidade tem uma história de conflitos, entre autoridades dos três níveis, que dificultam a adoção de políticas públicas em todas as áreas, com resultados especialmente nocivos na saúde.
Quem busca os hospitais públicos tem o direito de contar com prontos-socorros ágeis, remédios, equipamento funcionando e pessoal qualificado em número suficiente para evitar longas filas. Sem um esforço conjunto como o que começa a esboçar-se para oferecer esses serviços — base de uma política de longo prazo — a saúde no Rio estará perenemente sujeita a crises periódicas de variada gravidade, com ocasionais intervenções que tendem a ser exploradas politicamente e a realimentar rivalidades.
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