Entrevista:O Estado inteligente

domingo, agosto 07, 2005

Editorial de O Globo Face oculta




Surpreende a velocidade com que evidências e provas vêm-se acumulando sobre a existência do mensalão e do esquema espúrio arquitetado e montado pela cúpula do PT, aliados e sócios dentro da máquina pública, com fins políticos e financeiros.

Faz dois meses das entrevistas de denúncia do dissidente Roberto Jefferson, deputado do PTB. O tempo é relativamente curto, mas o que já emergiu dos depoimentos na CPI dos Correios, na Comissão de Ética da Câmara e das quebras de sigilo, e conseqüente cruzamento de informações em torno do milionário tráfego de cifras, permite afirmar que se está diante de um dos maiores esquemas de corrupção da História do país. Talvez o maior, a depender da evolução das investigações.

O propinoduto construído pelo publicitário, financista e lobista mineiro Marcos Valério, e administrado em parceria com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e certamente o secretário-geral do partido, Sílvio Pereira, entre outros, injetou, ao que se sabe, R$ 55,2 milhões no bolso de políticos petistas e da base aliada, e ainda há saques nebulosos a serem desvendados.

Mas se a movimentação no guichê das despesas, basicamente o da agência brasiliense do Banco Rural, tem sido razoavelmente esquadrinhada, o mesmo não ocorre no lado do balcão da receita, no abastecimento do propinoduto.

Até provas convincentes em contrário, não se sustenta a versão de que o fluxo do valerioduto decorre integralmente de empréstimos levantados pelo publicitário, financista e lobista junto ao BMG e ao Banco Rural para o PT, avalizados por Delúbio e Genoino. Todos os empréstimos, avalizados ou não pelos petistas, somam R$ 70 milhões. Se os juros cobrados são de fato de mercado, essa dívida, caso seja verdadeira, deverá ser impagável.

O Congresso e a Polícia Federal precisam checar com profundidade a muito provável existência de outras fontes de financiamento do esquema. Nessa tarefa, é imprescindível entrar nos meandros do aparelhamento de estatais e autarquias, esmiuçar contratos com fornecedores, sem deixar de lado os fundos de pensão de empresas públicas.

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