Entrevista:O Estado inteligente

domingo, agosto 07, 2005

DANUZA LEÃO Considerações

FOLHA DE S PAULO

  Na última semana, dois homens na faixa dos 50, 60 estiveram cara a cara: um acusou, o outro negou, o Brasil inteiro assistiu ao espetáculo, e ficou a impressão, quase unânime, de que é impossível que o ex-ministro José Dirceu não soubesse de nada. E outra: foi a prova de que não adianta nenhuma acareação nem o compromisso de dizer a verdade sob as penas da lei num país em que ninguém está nem aí para a verdade ou a mentira, pois quem mentir não será jamais punido.
Nos filmes americanos, as testemunhas juram com a mão sobre a Bíblia, e o perjúrio é falta grave. Mas nosso filme é classe C, em preto-e-branco, com péssimos atores, já que, em grande parte, não são atores, mas bandidos e ladrões.
Muitos deputados gastam o tempo precioso da CPI (e nosso) repetindo perguntas já feitas, e, mesmo assim, ninguém consegue desgrudar da televisão.
No confronto, aguado, de José Dirceu com Roberto Jefferson, o único momento em que o ex-ministro conseguiu ser franco e espontâneo foi quando alguém citou a MP do Bem, e ele soltou: "Aliás, ainda não entendi o porquê desse nome". Nem nós, deputado, nem nós.
No dia seguinte, houve um momento edificante: foi quando um deputado perguntou a Simone, diretora financeira de Marcos Valério, se ela conhecia a cafetina Geane; aí, o nível baixou geral. Mesmo que tenham existido orgias, dessas que povoam os sonhos eróticos de alguns parlamentares, a palavra cafetina podia perfeitamente ter sido evitada. Podia, não: deveria.
Segundo o jornal "O Globo" do último dia 4, o Ministério Público acha que Marcos Valério não deu informações relevantes para que se beneficie da delação premiada, e o procurador-geral, Antônio Fernando Souza, diz que "não é homem de negociar". Alguém precisa explicar ao procurador que negociar uma delação premiada é perfeitamente legal e que só depois que a Operação Mãos Limpas, na Itália, negociou com Tomaso Buschetta é que chegou aos chefões da máfia. Vá à internet, procurador, está tudo lá.
Como as coisas mudaram em 31 meses; estamos vivendo um clima de guerra e ódio. A guerra é das piores, pois nela não existem só dois lados; todos se atacam, todos querem se destruir. E, no meio dessa guerra, a palavra ódio foi usada pela primeira vez por quem, por quem? Por Lulinha, nosso ex-paz e amor, em seu comício-show em Garanhuns, Pernambuco.
Como Lula está de novo em campanha, aguardamos ansiosamente duas passeatas, uma no Rio e outra em São Paulo, para mostrar sua nova face, a raivosa, e ver se o candidato consegue levantar as massas nessas duas cidades. Mas isso não vai acontecer, até porque o presidente, entre muitos outros defeitos que estamos descobrindo a cada dia, tem um bastante grave, sobretudo para a posição que ocupa.
Como Lula pede para ser respeitado, vou respeitá-lo: no lugar de dizer que ele é covarde, vou dizer, com todo o respeito a seu cargo, que ele não é homem de coragem.
E só vou pedir desculpas pelo que estou dizendo depois que ele der uma entrevista coletiva, permitindo que a imprensa faça todas as perguntas que quiser, livremente.
PS: Pelo meu Ibope particular, meu parlamentar predileto, no momento, é o deputado Gustavo Fruet.

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