Como era antes
TSE mantém a verticalização e atrapalha
a estratégia de Lula para a reeleição
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Felipe Patury
Dida Sampaio/AE![]() | Jefferson Bernardes/Preview.com/AE![]() |
| Garotinho e Rigotto: a decisão dos juízes pode tirá-los da campanha | |
Na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral anunciou que a regra de verticalização para as eleições deste ano será mantida. A norma obriga os partidos políticos a reproduzir nos estados a mesma aliança que fizerem para compor sua chapa a presidente da República. A decisão dos juízes, que não encerra definitivamente o caso, cria um sério entrave para a campanha de Lula. Se a verticalização for mantida, o presidente terá de arquivar seus planos de coligação com o PMDB. Essa aliança é estratégica para o presidente. Há vinte dias, Lula ofereceu formalmente a vaga de vice em sua chapa ao partido, atropelando a disputa travada pela vaga de candidato do PMDB entre o ex-governador fluminense Anthony Garotinho e o governador gaúcho Germano Rigotto.
O acordo com o PMDB é importante porque aumenta as chances de Lula vencer a eleição no primeiro turno. A coligação só é possível, no entanto, se não houver a exigência de verticalização. Isso porque o PMDB tem dezenove candidatos a governador. Dez deles são favoritos e negociam alianças em seus estados com o PSDB, o PFL e outras agremiações que lançarão candidatos contra Lula. Para apoiar o presidente, o PMDB teria de desfazer os acordos de seus candidatos a governador e, assim, colocar em risco o sucesso de suas candidaturas estaduais. Em um partido como o PMDB, dominado por caciques regionais, a possibilidade de uma decisão nacional prejudicar as candidaturas estaduais é próxima a zero. Por isso, a tendência é que o partido não se coligue com Lula nem mesmo lance um candidato se a verticalização for mantida. Nesse caso, o PMDB deve simplesmente ficar fora da disputa pelo Planalto.
A decisão do tribunal eleitoral não é a última palavra sobre o assunto. Nesta semana, o Congresso promulgará a emenda constitucional, aprovada em fevereiro pelos parlamentares, que acaba com a verticalização. Na seqüência da publicação dessa medida, começará uma nova batalha judicial. Desta vez, a disputa será travada no Supremo Tribunal Federal, que decidirá se a emenda aprovada pelos parlamentares valerá na próxima eleição de outubro. A Ordem dos Advogados do Brasil entrará com uma ação no STF para garantir a manutenção da verticalização. Uma contagem antecipada e, obviamente, informal dos votos do Supremo leva a crer que a verticalização só deverá ser eliminada a partir das eleições de 2010. Parece que os juízes colocarão, de fato, uma pedra no meio do caminho de Lula.
