"Esta semana, o Congresso deu uma demonstração positiva de que está disposto a sair da paralisia em que se encontrava desde o início da crise do mensalão.
Na Câmara, a estréia do ministro Jaques Wagner na articulação política foi um sucesso. Conseguiu reunir a tropa governista, não para obstruir nem para negar quórum, mas para votar. Obteve uma bela vitória para o governo, mantendo o valor do salário mínimo em 300 reais.
Livre do fantasma de José Dirceu, que sempre impediu que Aldo Rebelo fosse empossado de fato na coordenação política, Jaques Wagner reuniu os partidos aliados e conquistou legitimidade para exercer o cargo.
Já no Senado, depois da infantilidade da aprovação de um salário mínimo de 384 reais, os senhores senadores retomaram os trabalhos a sério e aprovaram modificações nas regras que vão presidir as próximas eleições.
Não dá para chamar de reforma política, e nem seria apropriado, mas são algumas alterações nas campanhas eleitorais, alterações cujo objetivo é basicamente aumentar a transparência dos gastos e diminuir o prazo e o custo das campanhas.
Aprovadas no Senado, essas regras devem seguir para análise e votação na Câmara. Tudo muito rápido, porque qualquer modificação nas regras que vão nortear a eleição de 2006 precisa ser aprovada até 30 de setembro. O tempo é curto, mas quando suas Excelências querem, conseguem aprovar qualquer coisa.
O mais importante disso tudo é que o Congresso parece ter saído do atoleiro. É claro que qualquer observação a respeito da crise política pode ser desmentida em poucas horas, tal é a velocidade dos fatos.
Mas há sinais de que a crise entrou numa etapa qualitativamente diferente nesta semana. É possível quase perceber uma certa divisão de trabalhos.
Alguns parlamentares dedicam-se mais fortemente às CPIs e às investigações, enquanto outros concentram-se em procurar saídas negociadas para a crise. Botar o Congresso para trabalhar, por exemplo, é uma delas.
Agora só falta o Executivo colaborar. Anunciar que vai liberar cerca de um bilhão de reais em investimentos e emendas parlamentares, num momento como esse, pode não ser a maneira mais adequada de responder à crise.
Mas já é alguma coisa. Melhor do que o patético discurso do presidente da República falando em coração de mãe.
Ninguém merece."
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