Entrevista:O Estado inteligente

domingo, agosto 07, 2005

ELIO GASPARI PFL na frente



O senador Jorge Bornhausen, presidente do PFL, tomou a iniciativa. Apresentará um projeto de faxina para a legislação eleitoral. Propõe, entre outras coisas:

1- O fim dos showmícios. (Eles nada têm a ver com debate eleitoral. Engordam os caixas dois, marqueteiros, produtores de eventos e artistas que fingem trabalhar pela causa.)

2- O fim das superproduções no horário gratuito da TV. (De maneira geral, as prestações de contas das grandes eleições majoritárias revelam apenas um terço, ou metade, do que foi efetivamente gasto nas produções de TV. Em 2002, Delúbio Soares declarou R$ 7 milhões ao TSE. Somando-se R$ 15,5 milhões passados por Marcos Valério à empresa de Duda Mendonça, a conta começa a fechar.)

3- Os partidos políticos e seus candidatos deverão colocar na internet, em tempo real, a arrecadação e os gastos de seus diretórios e de seus candidatos nas eleições federais e estaduais.

O PT e o PSDB estão calados. Por conta do caixa dois, José Genoino, ex-presidente de um, e Eduardo Azeredo, presidente do outro, estão forçados a carregar a sombra de Marcos Valério em suas biografias. O PSDB e o PT são contra o caixa dois dos outros.

Bola gaúcha

Tem petista querendo amarrar no tornozelo de Tarso Genro, candidato a presidente do partido, a bola de ferro do repasse de R$ 150 mil (ou R$ 1,2 milhão) de Marcos Valério para a caixa do PT gaúcho. Durante dois dias, o partido negou a existência dos jabaculês.

Tarso foi candidato a governador do Rio Grande do Sul em 2002, os companheiros gaúchos dizem que esse dinheiro foi usado para quitar dívidas da campanha de Lula e todo mundo acredita.

Diálogo de Brasília:

— Que ordinário esse rato. Está abandonando o navio.

— Claro. Ele é rato, não é burro.

O bode brasileiro

No dia 3 de março de 2003, Lula disse o seguinte:

"A responsabilidade (?) não é do presidente da República, não é do governador do estado, não é dos prefeitos das cidades. A culpa é, na verdade, de todos nós, brasileiros. É preciso que a gente pare de culpar o nosso vizinho."

A patuléia agradece se Lula parar de culpar os "brasileiros". Nesse mesmo dia, a agência de Brasília do Banco Rural começou a pagar a turma do mensalão. Nos três meses seguintes, distribuiu R$ 10 milhões.

Diplomacia fominha

Balanço de uma política externa de jogador fominha, aquele que corre atrás de todas as bolas:

? Azedou as relações com a Argentina.

? O candidato a presidente da OMC foi desclassificado na prévia.

? O candidato à presidência do BID perdeu a disputa e o Brasil ficou sem a vice-presidência.

? Durante dois anos, Lula cortejou potentados africanos perdoando dívidas e distribuindo empréstimos. Os africanos detonaram a proposta de reforma do Conselho de Segurança da ONU, que daria uma cadeira ao Brasil.

Lei de Murphy

Com o título "O guardião da economia", o ministro Antonio Palocci está na capa da revista "Revide", de Ribeirão Preto. Na contracapa, há um anúncio do Banco Rural, assinada pela agência SMP&B, do doutor Valério.

Numa página interna, anuncia-se um jipe Land Rover da revendedora local Eurobike. Foi lá que a empreiteira GDK comprou o mimo que deu ao ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira.

Lula é um patrão feroz

Por conta da abulia do governo e da acefalia do Ministério da Previdência, Lula preside uma greve de servidores do INSS que amanhã entrará no seu 67 dia. Como é uma greve que bate só no andar de baixo, o governo do companheiro quer matá-la de inanição. Que se dane a patuléia que depende da previdência pública e sofre o seu efeito.

Pode-se estimar que já deixaram de ser atendidos cerca de quatro milhões de pessoas que vão ao INSS cuidar de seus interesses. Mais de cem mil pedidos de benefícios deixaram de ser encaminhados. Nenhuma perícia médica foi marcada.

A greve do INSS começou quando apenas surgiam sinais de que Roberto Jefferson estouraria a fila do mensalão. O governo mostra-se compreensivo diante da lista do Banco Rural e nada oferece senão intransigência à fila da choldra. Lula não disse uma só palavra sobre a greve do INSS. Nem para denunciá-la.

Quem viu o documentário "Entreatos", de João Moreira Salles, testemunhou a crueldade com que o companheiro cravou um adjetivo (pelegão) no ex-líder sindical e ex-presidente polonês Lech Walesa. Numa hora em que Lula busca suas bases populares no Piauí, alguns números sugerem que, no seu lugar, Walesa estaria redecorando a Daslu:

Durante oito anos de tucanato, os servidores do INSS fizeram 286 dias de greve. Desde que Lula tomou posse, os dias parados já somam 161. Admitindo-se que nesse período as greves ficaram restritas a 50 mil trabalhadores (pouco mais que metade da categoria), as paralisações do INSS já queimaram oito milhões de jornadas de trabalho.

Para quem lembra do Lula do ABC, a grande greve metalúrgica de 1978 parou 200 mil operários e torrou perto de meio milhão de turnos de trabalho. A greve do INSS deste ano já é seis vezes maior do que a de 1978. Como bate nas costas do trabalhador, finge-se que ela acontece em Saturno.

No papel de patrão, Lula é um negociador mais competente e frio do que o empresariado que enfrentou ao tempo de sua encarnação sindicalista.

As alegres comadres de Brasília

Assim como Gabriel García Márquez levou a memória de suas "putas tristes" para as livrarias, o senador Demóstenes Torres trouxe para a ata da CPI dos Correios personagens da crônica das moças alegres das noites de Brasília. Ele perguntou a Simone Vasconcelos, maquinista do trem pagador do mensalão, se conhecia alguma senhora de nome Geane. Nem pensar. Geane Mary Corner é uma cafetina federal e sua escuderia assegura companhia de qualidade para grandes amigos de bons amigos.

Corre na noite de Brasília uma história segundo a qual uma acompanhante teria cobrado R$ 20 mil de cachê (US$ 8,4 mil) ao propinoduto. É nessa hora que mais uma vez o mundo se curva ante o Brasil. A peça mais famosa (e cara) do circuito de Wall Street cobra metade disso por quatro horas de atendimento. Ela se chama Natalia e há poucas semanas esteve na capa da revista "New York". Tem 25 anos e medidas banais, mas foi cotada 17 vezes seguidas como 10/10 numa espécie de Michelin da cama. Natalia conta que ama o trabalho de sua pessoa jurídica e reconhece que, como pessoa física, sairia numa boa com oito em cada dez de seus clientes. Na média, sua carga passa das cinco horas diárias. Natalia cobra US$ 2 mil por hora (R$ 4,8 mil), com bandeirada mínima de quatro horas.

? Serviço: A história de Natalia e de seu cafetão Jason (em cana) está no seguinte endereço, em inglês: http://newyorkmetro.com/nymetro/nightlife/sex/features/12193/

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