Entrevista:O Estado inteligente

sábado, agosto 06, 2005

Editorial de A Folha de S Paulo ADEUS, CONSELHO

 Uma inesperada aliança entre os EUA e a China praticamente sepultou as ambições do governo brasileiro de conquistar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança (CS) da ONU. Após uma rápida reunião entre o novo embaixador dos EUA na organização, o linha dura John Bolton, e o representante da China, Wang Guangya, os dois países decidiram opor-se à proposta de reforma apresentada pelo chamado G-4, grupo composto por Brasil, Alemanha, Índia e Japão.
Oficialmente, EUA e China, que já estão entre os cinco membros permanentes do CS, ao lado do Reino Unido, da França e da Rússia, argumentam que a proposta como está poderia levar a uma divisão entre os membros da ONU. Na verdade, porém, a China não admite a promoção do rival regional Japão por conta de feridas da 2ª Guerra Mundial ainda não cicatrizadas. Já os EUA fazem restrições à entrada da Alemanha no CS. A inclusão de Berlim daria três assentos à União Européia e, de resto, o presidente Bush ainda não deglutiu bem a oposição que o governo alemão fez à guerra no Iraque.
Para a proposta de reforma ser aprovada, ela precisa dos votos de dois terços dos 191 países membros e não pode ser vetada por nenhum dos cinco membros permanentes do CS. Como se não bastasse, líderes de países da África, que, pelo projeto do G-4, receberiam dois assentos permanentes, decidiram não apoiar a proposta. Eles rejeitam um dispositivo que suspende, por 15 anos, o direito de veto de eventuais novos membros.
Nem os piores críticos do Itamaraty teriam imaginado um cenário tão adverso para os planos -recentemente convertidos em verdadeira obsessão- de conquistar uma vaga permanente para o Brasil no CS. O mais lamentável é que, no afã de realizar sua meta, a diplomacia brasileira acabou sacrificando princípios e também relações longa e cuidadosamente cultivadas. Para nada, vê-se agora. Reconstruir o que se perdeu exigirá tempo e dedicação.

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