Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, janeiro 17, 2006

Editorial de O GLOBO

Alívio monetário

Editorial
O Globo
17/1/2006

Para vencer a inflação, a economia brasileira tem passado por um processo de forte ajuste, com elevada dose de sacrifício, pois o país vem crescendo abaixo da média das nações com o mesmo grau de desenvolvimento. Infelizmente, não há mágica capaz de evitar esse sacrifício. Estamos pagando o preço de uma longa herança inflacionária, fruto de deficiências estruturais crônicas e de anos de mau gerenciamento das finanças públicas.

Um arcabouço institucional montado a partir do Plano Real criou obstáculos para uma administração irresponsável das finanças governamentais, do ponto de vista macroeconômico, mas há muito o que fazer pelo lado micro.

Seja como for, o Brasil vem avançando no combate à inflação, e prova disso é que as expectativas dos agentes econômicos convergem em 2006 para as metas definidas pelo governo, pela primeira vez desde que tal política passou a ser adotada no governo anterior.

O ponto central da meta deste ano (4,5%) poderá ser mais facilmente atingida porque em 2005 a inércia que vinha alimentando a inflação foi quebrada. Os chamados preços administrados contribuíram com mais de 40% da inflação registrada no ano passado pelo IPCA (5,7%), com variação de quase 9% ao longo de 2005. No entanto, este ano estima-se que a variação dos preços administrados ficará exatamente dentro da média esperada (4,5%).

Como as fontes de pressão sobre os índices de preços diminuíram significativamente a partir da quebra dessa inércia inflacionária, a dose de sacrifício também poderá ser reduzida. Dessa forma, o natural é que a política monetária executada pelo Banco Central abra espaço para um crescimento mais substancial da economia em 2006, superando o modesto resultado do ano passado.

Hoje o Comitê de Política Monetária (Copom) começa a avaliação que definirá o primeiro corte nas taxas de juros em 2006. Tudo indica que não será menos do que 0,5 ponto percentual, podendo ser mais, caso as autoridades não identifiquem algum risco pela frente. Qualquer que seja o tamanho do corte, proporcionará menos encargos financeiros para o Tesouro e ganhos para a economia.

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