" O Fundo Monetário Internacional sempre foi um dos inimigos preferidos da esquerda brasileira. Não apenas brasileira, mas de toda a América Latina.
"Fora FMI" é uma palavra-de-ordem tão antiga nos muros do Brasil, que nunca imaginávamos que um dia o país pagaria sua dívida com o Fundo Monetário.
O fato de o FMI ser, sobretudo, um banco, onde os empréstimos são feitos a juros subsidiados, não tem muita importância. A ideologização do problema e a demonização do FMI tem sido o pano de fundo das relações entre o Brasil e o Fundo.
O primeiro e único presidente brasileiro a romper publicamente com o Fundo Monetário Internacional foi Juscelino Kubitschek, em 1959. Rompeu, mas no dia seguinte deu ordens para que as relações com o FMI fossem reatadas, muito discretamente, é claro.
De lá para cá, muito "Fora FMI", muito nariz torcido, muita reclamação, mas nenhum presidente brasileiro ousou mais romper com o Fundo.
O governo Lula pagou a dívida com o FMI. Pagou 15,5 bilhões de dólares, de uma dívida que só venceria em 2007.
O governo acredita que será possível economizar 900 milhões de dólares em juros com a liquidação da dívida. Mas para isso, queimou importantes reservas monetárias, gastou boa parte do superávit primário tão duramente construído e aumentou brutalmente a dívida interna.
É como se alguém decidisse pagar um empréstimo contraído junto a um banco, a juros bem camaradas. Mas para isso, o devedor toma dinheiro em outro banco, a juros estratosféricos. Será que foi mesmo um bom negócio?
A liquidação total da dívida junto ao FMI só será um bom negócio se o governo Lula conseguir faturar politicamente o fato. Em ano eleitoral, não é pouca coisa.
Se Lula for para o palanque com o discurso de que foi o primeiro presidente brasileiro a se livrar do FMI sem precisar fazer uma revolução, será um sucesso.
Caso contrário, terá sido apenas uma queima desnecessária de divisas para pagar uma dívida que poderia esperar mais um ano para ser paga."
Enviada por: Ricardo Noblat