| O Estado de S. Paulo |
| 8/5/2008 |
Para espanto dos que se julgam esclarecidos, os preços do petróleo estão em disparada justamente quando os indicadores apontam para desaquecimento da economia dos países ricos. Imaginem, então, a quanto estariam as cotações se a expectativa fosse de crescimento robusto, como era há um ano, antes do estouro da bolha dos créditos hipotecários de alto risco. Ontem as cotações do West Texas Intermediate (WTI), petróleo-padrão negociado em Nova York, atingiram no intraday US$ 123,80 por barril de 159 litros, nova marca histórica. E não há mais especialista que ouse prever recuo forte dos preços, como alguns se atreviam há dois meses. Os mesmos analistas do Goldman Sachs, instituição financeira que em 2005 antecipou que a marca dos US$ 100 logo seria ultrapassada, agora afirmam textualmente: “A possibilidade de que o barril a US$ 150-200 seja atingido dentro de 6 a 24 meses parece cada vez mais provável.” Uma a uma, as tais “explicações alternativas” para a escalada vão sendo descartadas. Quem punha força na puxada provocada pelos especuladores não consegue apontar onde estão os estoques. Outros acreditavam que a maior parte da alta se devia a uma espécie de compensação pela desvalorização do dólar, moeda em que está cotado o petróleo. Mas, nos dois últimos anos, o dólar se desvalorizou 22% ante o euro, enquanto o petróleo subiu 75%, números que não guardam proporção entre si. E não falta quem aponte o dedo para as artimanhas dos produtores da Opep, os suspeitos de sempre. E, no entanto, sua capacidade de aumento da oferta está cada vez menor. Melhor focar os fundamentos. Quem olha para as tabelas de oferta e demanda talvez não consiga explicações rápidas. O último relatório mensal da Agência Internacional de Energia mostra que no primeiro trimestre deste ano a demanda global atingiu 87,2 milhões de barris diários e cresceu 1,4%, enquanto a oferta, de 87,3 milhões de barris diários, cresceu 2%. É verdade que os estoques estão caindo, mas são quedas que parecem normais. Os preços são pressionados tanto pelas tensões que se formam no lado da procura quanto pelas que estão no da oferta. Em 1997, a China consumia 4,2 milhões de barris diários. No ano passado, foram 7,8 milhões, mas as projeções apontam para 12 milhões em 2020 e 27 milhões em 2030. Na ponta da oferta, ocorre o oposto. As extrações dos campos russos atingiram seu limite, os do México e da Venezuela tendem a cair e outros fornecedores importantes, como Iraque e Nigéria, vão sendo sacudidos por convulsões políticas que estrangulam a produção. Já instável, este mercado ficou ainda mais. Dizer que o superconsumo chinês está empurrando a conta para o resto do mundo é, no mínimo, um erro. Ano passado, só os Estados Unidos queimaram cerca de 21 milhões de barris diários, três vezes mais do que a China e cerca de um quarto do consumo global. Além dos fatores estruturais, deve mexer com os preços nos dois próximos meses a nova temporada de consumo que vem com a chegada do verão no Hemisfério Norte, quando as férias aumentam o consumo de gasolina e o calor exige mais energia para refrigeração. É a temporada quente para o petróleo. CONFIRA Forte em tempo fraco - O rali do petróleo que acontece quando os países ricos enfrentam desaceleração da atividade econômica (portanto, quando deveriam reduzir o consumo) reforça as projeções de que o avanço dos preços ainda vai longe. Diz o relatório do Goldman Sachs: “É mais provável que a alta dos preços tenha longa duração do que seja apenas uma estocada rápida.” Inflação é o efeito colateral mais dramático da escalada. Mais cedo ou mais tarde, a resposta dos bancos centrais dos países ricos será a puxada nos juros à Paul Volcker. |
Entrevista:O Estado inteligente
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