ESTADÃO
Entre as mais importantes fontes de resistência à política de juros, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, identifica as camadas mais ricas da população. Foi o que se leu na entrevista publicada domingo por este jornal.
É gente que sente saudades da inflação porque aprendeu no passado a se defender contra ela e, nessas condições, conseguiu apropriar-se das melhores fatias da renda nacional.
A queda da inflação, raciocina Meirelles, reduziu esse fluxo de renda para os mais abonados e agora são as camadas mais pobres que mais se beneficiam: é o salário que derrete menos e dá mais condições de sustento ao poder aquisitivo da população e é a comida que chega mais barata à mesa do povo.
O empresário foi um dos grandes beneficiários dos tempos do dinheiro quente não só porque, ao final do mês, pagava salários mais baixos do que o acertado no início, mas também porque aprendeu a tirar boa parte do lucro das operações financeiras.
Ganhava o jogo quem garantisse fluxo de caixa e conseguisse postergar os pagamentos. Enquanto isso, o dinheiro dormia no overnight, onde engordava com correção monetária e juros.
No tempo da superinflação, setores inteiros do comércio prosperavam: atacadistas, supermercados, farmácias, postos de gasolina. Além de garantir recebimento à vista (ou quase à vista) e pagamentos a prazo para poderem assegurar o lucro financeiro, ganhavam também com as "viradas de tabela", reajustes de preços que permitiam especulação com estoques e polpudos reajustes quase diários.
Boa parte do comércio varejista ainda hoje garante lucros financeiros quando oferece pagamento em várias parcelas "sem juros", mas antes incorpora acréscimo aos "preços à vista".
O grande lucro financeiro camuflava irracionalidades administrativas que a queda da inflação passou a exibir. Apesar da persistência dos juros altos, a queda da inflação achatou o retorno financeiro do empresário, que teve de arrancar dinamismo só do lucro operacional, bem mais difícil, porque exige disciplina, redução de custos, planejamento estratégico, tecnologia e, sobretudo, competência.
A virada na prática de gestão de negócios coincidiu com duas outras reviravoltas. A primeira foi o impacto causado pela tecnologia de informação (computador, internet, vendas online, etc.), que permitiu redução de estoques e emprego menor de equipamentos, instalações, mão-de-obra e despesas com distribuição. A outra foi a maior abertura da economia, a globalização que desembocou no aumento da competição, agora acirrada pela queda do dólar no câmbio interno. Foi a ventania que sacudiu a goiabeira e derrubou os negócios mal presos a seu galho.
O presidente do Banco Central explica assim a gritaria "contra os juros escorchantes e contra o dólar barato demais".
Não dá para negar certa lógica nesse raciocínio. E por aí se vê que os empresários têm razões que cheguem para defender seus interesses. Entre mais crescimento com mais inflação e menos crescimento com menos inflação, não vacilam em optar pela primeira alternativa.
Mais difícil é entender por que os dirigentes do PT, que se dizem identificados com a causa do trabalhador, não enxergam na queda da inflação os benefícios de redistribuição de renda.
Se é assim, o Banco Central também tem falhado miseravelmente na medida em que não convenceu nem o PT nem setores do próprio governo de que a política que põe em prática é a que mais beneficia os pobres.
ming@estado.com.br
Entrevista:O Estado inteligente
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