FOLHA
Se não tivesse ocorrido o golpe de 1964, o destino de Rodrigo Lopes teria sido outro. Preparado, experiência internacional, era filho de Lucas Lopes, genro de Juscelino Kubitschek. Sem espaço político, herdou do pai a presidência da Hanna Mining do Brasil, filial daquela que foi a grande influência política no Partido Republicano americano nos anos 50, a maior ameaça ao crescimento da Companhia Vale do Rio Doce nos anos 50 e 60, e terminou engolida pelos tempos.
Nos próximos meses, Rodrigo lançará um livro com escritos do pai, o grande planejador com quem JK contou para tocar as obras de seu governo, como secretário-executivo do Conselho Nacional de Desenvolvimento, que centralizou os trabalhos do Plano de Metas de JK.
Para Rodrigo, não dá para comparar os trabalhos da Comissão Mista Brasil-EUA -que teve a participação de seu pai- com o Plano de Metas de JK. O primeiro era um diagnóstico, um levantamento de necessidades. O segundo, as idéias colocadas de pé.
Quando JK assumiu, o então BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) estava em três salinhas acanhadas na rua 7 de Setembro com a Quitanda. Só passou a existir quando Assis Figueiredo, do grupo de Lucas Lopes, criou o Imposto Único sobre Combustíveis, que serviu de "funding" não apenas para o BNDE como para a Petrobras.
A Petrobras de Vargas era inviável, argumenta ele. No âmbito do Conselho de Desenvolvimento, houve longa discussão sobre o que fazer com ela. Não se podia abrir o monopólio nem permitir que quebrasse. Foi o Imposto Único que garantiu sua sobrevivência.
Criador da Cemig (Centrais Elétricas de Minas Gerais), Lucas Lopes considerava a Eletrobrás um elefante branco. Criou-se um imposto sobre energia, que Lucas Lopes pretendia que fosse administrado pelo próprio BNDE. Acabou ficando com a Eletrobrás.
Rodrigo nega desavenças entre JK e Lucas Lopes. Afirma que as supostas discussões eram intrigas alimentadas por Augusto Frederico Schmidt, poeta e grande influência no governo JK. E nega também que JK fosse um governante irresponsável. A maior prova é que jamais deu um cargo a Schmidt, sustenta ele. E Sebastião Paes de Almeida, o Tião Medonho, que presidiu o Banco do Brasil e assumiu duas vezes a pasta da Fazenda? Eram injunções políticas, porque Tião Medonho não pertencia ao círculo próximo de JK, diz Rodrigo.
A maior revelação de seu livro, provavelmente, será a respeito de Brasília. Quando o Plano de Metas foi anunciado, elevou a imagem de JK e do Brasil internacionalmente. Pela primeira vez se tinha um plano com metas quantificadas, com definição de fonte de recursos, cronograma. No livro de Roberto Campos, e para os historiadores em geral, o grande fator de desequilíbrio orçamentário teria sido a construção de Brasília, colocada intempestivamente por JK na reunião em que o Plano de Metas foi lançado. No novo livro, fica-se sabendo que o plano de construir Brasília era de 1948. Desde aquele tempo, já se tinham todos os números fechados, levantados, orçados. Para Lucas Lopes, o grande rombo orçamentário foi o café. Havia a necessidade de uma desvalorização do câmbio, mas se temia uma queda no preço do café, em dólares, reduzindo o ingresso de divisas. JK manteve a política de sustentação de preços de Oswaldo Aranha e, segundo Rodrigo, é por aí que se devem investigar as razões do estouro do Orçamento da República.
Mesmo assim, Rodrigo afirma que, se seu pai não tivesse sofrido um enfarte em Caxambu -o que o alijou da vida pública-, teria conseguido manter a inflação sob controle. O que é, no mínimo, duvidoso.
O fato é que, com inflação e tudo, JK conseguiu colocar em pé um conjunto de projetos que havia anos estava flanando, à espera de um estadista. De certo modo, é o quadro que se tem hoje. Há uma profusão de diagnósticos sobre as questões relevantes do país, as necessidades na infra-estrutura, a mobilização da poupança, a promoção da inovação, as tecnologias sociais.
Falta apenas um JK com informação, coragem, pique e, agora, com responsabilidade fiscal.
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