Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, setembro 18, 2008

Paul Volcker e Alan Greenspan propõem um Proer à brasileira para os EUA

Economistas propõem um Proer à brasileira para os EUA

Postado por Carlos Alberto Sardenberg em 18 de Setembro de 2008 às 11:46

A melhor proposta para a administração da crise financeira partiu de dois ex-presidentes do Fed, o banco central dos EUA, Paul Volcker e Alan Greenspan – na verdade, dois ícones do mundo econômico. O primeiro debelou a super-inflação que assolava os EUA nos anos 70. O segundo, sucessor de Volcker, comandou anos de extraordinário crescimento.

A proposta: o governo americano criaria uma empresa pública, cujo objetivo é absorver os créditos, seguros e investimentos podres dos bancos. A empresa compra esses papéis podres e com isso fornece capital novo aos bancos, cujos balanços podem ser então saneados. Isso restaura a confiança nos bancos e afasta a ameaça de crise sistêmica, quando os investidores retiram seu dinheiro do sistema.

Há precedentes. Em 1989, o governo americano criou a Resolution Trust Corporation (RTC), com a função de sanear o mercado imobiliário – pois é, a atual crise imobiliária é uma repetição! Na ocasião, parecida com hoje, cooperativas de crédito habitacional (tipo empresas de caderneta de poupança) foram à ruína em consequência de empréstimos duvidosos a clientes duvidosos para compra da casa própria. Eram 750 cooperativas, pequenas e espalhadas por todo o país.

A RTC absorveu cerca de US$ 400 bilhões de papéis podres dessas cooperativas. Quando a crise passou, a RTC vendeu os títulos, recuperou US$ 275 bilhões e foi fechada. Portanto, ficou para o contribuinte americano um calote de US$ 125 bilhões.

E esse é o problema para uma nova RTC. Quanto dinheiro público seria necessário gastar no início do processo? É praticamente impossível calcular, mas certamente é muito. Até aqui, os bancos registraram nos balanços perdas de US$ 500 bilhões e muita gente acha que ainda há outros US$ 500 bilhões por aparecer. Portanto, a conta inicial vai para um trilhão de dólares, que equivale ao dobro do déficit projetado do governo americano neste ano.

Mas os bancos já repuseram parte da perda dos 500 bilhões e poderão repor mais com as fusões e compras em andamento. Além disso, esse saneamento é o que o governo americano já está fazendo com os resgates das agências hipotecárias e da seguradora AIG. Apenas está fazendo caso a caso, e nunca se sabe quando o governo intervirá. Com uma empresa específica para isso e um programa aprovado pelo Congresso, fica mais seguro.

Sabem qual o país que fez um programa desse tipo há pouco tempo?

O Brasil, com o Proer (para o saneamento dos bancos privados) e o Proes, para os bancos públicos estaduais.

Deu certo, assim como dera nos EUA.

A justificativa é a seguinte: a sociedade e a economia perdem menos com a intervenção (e perdem de modo mais organizado) do que ao deixar ocorrer uma sequência de falências desorganizadas, abalando todo o sistema financeiro e comendo poupanças, investimentos e fundos de pensões.

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