| O Estado de S. Paulo |
| 6/5/2008 |
Demorou, mas finalmente o governo aceitou que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, vá ao Congresso falar sobre o PAC para uma platéia interessada em ouvi-la a respeito do dossiê dos gastos de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República. A demora e os adiamentos estarão plenamente justificados se nesse meio tempo a ministra tiver se preparado bem e amanhã conseguir o que ninguém no governo conseguiu até agora: contar uma história, senão com começo, meio e fim, pelo menos provida de pé e cabeça. A dificuldade, porém, será a ministra escolher uma entre as várias versões já contadas sobre o caso, ou, então, montar uma nova a partir de cada uma das existentes na praça e apresentá-la numa roupagem convincente. A tarefa, reconheça-se, é ingrata. Em um mês e meio, o governo ofereceu nove diferentes interpretações. Primeiro, negou tudo, disse que não existia dossiê nenhum. Depois, informou que havia feito sim um levantamento sobre os gastos de FH, mas a pedido do Tribunal de Contas da União. Diante da negativa do TCU, o Planalto adotou a versão sobre o banco de dados; não havia dossiê, mas um arquivo normal. Logo em seguida passou a circular a história sobre a conspiração do “fogo amigo”, fruto da insatisfação de petistas “palacianos” com o prestígio político-eleitoral conferido a Dilma pelo presidente Luiz Inácio da Silva. Ato contínuo, a conspiração passou a ser do PSDB que, alimentado por um agente tucano infiltrado na Casa Civil, divulgou os gastos para culpar o governo. E assim chegamos à sexta tradução para um mesmo fato: o crime verdadeiro é o vazamento de informações; portanto, investigue-se o informante e não o mandante. Nessa altura, a Polícia Federal foi chamada a entrar na investigação e tratou de avisar que iria também atrás dos autores do dossiê. O ministro da Justiça, Tarso Genro, então, aperfeiçoou a história. Numa memorável e personalíssima interpretação sobre condutas públicas, opinou que a manufatura de dossiês é um ato absolutamente normal e aceitável por parte de “qualquer governo” e até mesmo da oposição. Semanas depois, o novo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, viria a discordar veementemente, qualificando de “nova face do patrimonialismo” o fato de um governo se apoderar de informações do Estado para uso político-partidário. Na realidade, o próprio Tarso Genro também pensava assim antes de o caso tomar vulto. Nos primeiros dias após a denúncia, quando a palavra de ordem ainda era negar, o ministro dizia que “o governo do presidente Lula não trabalha com dossiê” e considerava “indecente” quem o fizesse. E, já que havia mudado tanto de opinião, o governo mudou outra vez quando da arquitetura da oitava versão, agora para dizer que os dados contidos no dossiê não eram sigilosos e, sendo assim, seu uso não implicava transgressão. Mas como, se o sigilo havia sido o fator essencial para a sustentação de todas as versões anteriores, nas negativas iniciais, nas teorias conspiratórias e principalmente na tese de que o crime estava no vazamento das informações secretas? Como se vê, um mês e meio depois o governo estava agindo abertamente à imagem e semelhança dos acusados acuados, sem qualquer preocupação em preservar a verossimilhança entre as justificativas apresentadas. E como se oito não bastassem, ontem apareceu uma nona versão, segundo o jornal O Globo, agora destinada à apresentação da ministra da Casa Civil na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Consta que os governistas tentarão amanhã limitar a conversa ao PAC. Mas, se a oposição insistir muito, Dilma Rousseff estaria instruída a repetir o chefe, dizer que foi traída e dar por encerrado o assunto. Vai depender do desempenho dela. A performance, aliás, é alvo de interesse especial por parte dos políticos. Se for boa, continua cotada no ensaio de candidaturas. Se for ruim, sai de cena e cede a cadeira de pista no palanque para o ministro da Educação, Fernando Haddad. Saudade da Sunab Não há uma maneira mais suave de dizer o que presidente Lula está fazendo na questão da gasolina: mistificação sobre o papel do governo e demagogia com a classe média. Primeiro, proíbe aumento em regime de preços livres; depois, exorta o consumidor a “denunciar” os donos de postos que reajustarem o combustível sem que haja embasamento legal nem instância oficial para a apresentação das “denúncias”. A regra do jogo é ditada pela concorrência: quem aumenta preço perde cliente, quem mantém ou reduz, ganha e o governo não tem nada a ver com isso. Nostálgico, Lula evoca discurso do tempo dos fiscais do Sarney, da caça ao boi no pasto, mas o Estado é outro. Menos controlador e, portanto, são mais restritos os espaços que se prestam à atuação do governante como fonte de todas as benfeitorias. |
Entrevista:O Estado inteligente
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