Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, agosto 01, 2006

Platitudes no Planalto Plínio Fraga



Artigo -
Folha de S. Paulo
1/8/2006

Estou convencido de que pode haver neste país alguém tão repetidor de chavões como o presidente Lula, mas nenhum é mais repetidor de obviedades do que o petista. Por exemplo, na página da Presidência com discursos de Lula neste ano, a expressão "estou convencido de que..." aparece em 37 ocasiões.
Mas o que dizer das platitudes do tucano Geraldo Alckmin? Na semana passada, perguntaram para o candidato do PSDB se, ao dizer que baixará a taxa de juros, significa que em seu eventual governo o Banco Central perderá a autonomia que na prática goza.
A pergunta continha evidentemente uma armadilha, mas era bem construída e pertinente. A resposta não poderia ter sido mais tucana: "O que vou fazer é colocar de novo o país na rota do crescimento". Mas que companhia faz a rota do crescimento? Que não seja a Varig, porque essa não leva mais ninguém a lugar nenhum.
Entre na página da internet do candidato tucano e está lá no blog do Geraldo: "Precisamos melhorar as condições de vida nas cidades". Qual a fórmula para isso? "Precisamos reunir os esforços da iniciativa privada e de todos os níveis da administração pública". Ah, bom, agora vai. Votar num candidato que dissesse que não melhorará as condições de vida nas cidades talvez fosse melhor. Pelo menos estará mais próximo da sinceridade, sem colocar os outros no papel de bobo.
Também perguntaram a Alckmin se ele iria manter a política de superávit primário, com a conseqüente redução de investimentos públicos. "O que vamos ter é uma política fiscal melhor, com qualidade do gasto público", respondeu o Conselheiro Acácio tucano. Poderia ter dito que terá um gasto público melhor, com qualidade na política fiscal. Dá no mesmo. O jogo das platitudes é de soma zero.

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