Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, abril 06, 2006

O SOM DO SILÊNCIO

EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO
 É no mínimo desastrada a tática do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, de se esquivar das inquirições a respeito de seu envolvimento em esquemas de corrupção em prefeituras do PT e no pagamento de dívidas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em acareação, anteontem, na CPI dos Bingos, Okamotto negou-se a explicar com que meios teria quitado um débito de R$ 29,4 mil do presidente com o partido. Na frase mais assertiva que foi capaz de pronunciar, limitou-se a negar que seja "responsável pelas finanças pessoais de qualquer pessoa".
Acudir o presidente da República -sem que o beneficiário tenha tomado conhecimento, na versão de Okamotto- é apenas o mais estranho gesto de generosidade financeira do amigo de Lula. Em 2004, doou R$ 24.840 à campanha de Vicentinho à Prefeitura de São Bernardo.
Mas o silêncio tem seu preço. A cada dia avolumam-se as suspeitas de que Okamotto tenha atuado ao longo dos últimos anos como um tesoureiro informal do PT, empregando recursos oriundos de fontes obscuras em benefício do partido e de seus líderes. Por que outra razão cobriria os furos da heterodoxia contábil petista com dinheiro do próprio bolso?
Amparado por uma decisão do Supremo, o presidente do Sebrae se recusa a abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Do ponto de vista jurídico, nada o impede de perseverar na decisão, embora a sucessão de malabarismos judiciais para protegê-lo soe acintosa em face da sem-cerimônia com que se violentou o sigilo do caseiro Francenildo Costa.
Politicamente, contudo, a teimosia de Okamotto é bastante reveladora: ou se nutre de uma atroz inabilidade política ou se manifesta porque, de fato, há muito a esconder. Se não cabe pedir a alguém que se incrimine, é o caso de exigir das autoridades -CPI, Ministério Público e Polícia Federal- que persigam o esclarecimento dessa incômoda dúvida.


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