Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, abril 06, 2006

EVITAR O APAGÃO AÉREO

EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO
 
A crônica da reestruturação do setor aéreo no Brasil e o caso da Varig, em particular, mais se parecem com um daqueles antigos seriados de cinema: o episódio seguinte está sempre garantido, por mais que, no final do anterior, o protagonista pareça inapelavelmente liquidado. Planos tidos por definitivos foram apresentados a fim de resolver o problema de solvência da companhia para serem descartados a seguir.
Esse ciclo de esperança e frustração, que já dura anos, pode estar prestes a ser rompido por um fato inexorável. Premida por credores nacionais e estrangeiros, a empresa aérea brasileira mais conhecida no exterior está ameaçada de deixar de voar a qualquer momento. O assunto foi objeto de mensagem dramática enviada ao presidente da República pela direção da Varig.
Em outras palavras, o que eram estratégias para o médio e o longo prazo, do ponto de vista principalmente do governo (o maior credor da empresa), tornou-se uma questão premente: a consecução de um plano emergencial para diminuir os danos imediatos aos passageiros na hipótese de a companhia deixar de operar.
No mercado doméstico, o agudo declínio da participação da Varig -que hoje detém menos de 20% do fluxo de passageiros- facilita a substituição dos seus vôos por outras empresas. O maior problema, no entanto, ocorreria com as linhas internacionais, setor em que a companhia é responsável por cerca de 70% do tráfego. Entraves legais teriam de ser contornados rapidamente para que corporações estrangeiras pudessem atender a essa demanda em caráter emergencial.
Quanto ao problema de solvência da Varig, esta não é a melhor ocasião para o governo abrir seus cofres numa operação de salvamento sem horizonte -nada que se faça agora desfará o impasse que envolve sindicatos, controladores e credores da companhia. Toda a energia das autoridades deve estar voltada, neste momento, para que um plano de contingência funcione a contento no caso de a companhia parar de voar.

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