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sábado, abril 22, 2006
Merval Pereira Energia política
O GLOBO
BAKU. O governo brasileiro comemora nossa auto-suficiência em petróleo — uma produção média diária de 1,9 milhão de barris, contra um consumo de 1,8 milhão de barris — num momento mundial em que possuir reservas naturais geradoras de energia, seja de petróleo, seja de formas alternativas como biocombustíveis, especialmente o etanol, que tem valor internacional, torna-se uma vantagem competitiva com forte acento político.
Um tema fundamental no seminário da Academia da Latinidade que se realiza aqui em Baku, capital do Azerbaijão, é o oleoduto que vai trazer petróleo do Mar Cáspio através da região da Anatólia, e reforça, na geopolítica regional, a situação do Azerbaijão, da Georgia e da Turquia, países por onde ele passa.
O oleoduto Baku-TbilisiCeyhan, que está sendo feito pelos Estados Unidos e já tem nada menos que 27 companhias ocidentais associadas a uma empresa de exportação de petróleo, é uma tentativa americana de criar na região uma alternativa ao petróleo do Oriente Médio, forçando toda uma nova perspectiva econômica no Cáucaso, num mundo em que as fontes de energia se transformam cada vez mais em fontes de poder político.
Em um encontro, dias atrás, com os participantes do seminário da Academia da Latinidade, o ministro do Exterior do Azerbaijão, Elmar Mammadyarov, reclamou da ausência da Petrobras na exploração do petróleo no país: "O mundo está de olho no Mar Cáspio, e vocês foram para o Mar Negro", lamentou com o embaixador do Brasil, Cesario Mellantonio, que acumula a representação em Ankara, na Turquia, com o Azerbaijão.
O ministro esteve recentemente no Brasil para tentar convencer a Petrobras a participar do projeto do oleoduto. A referência ao Mar Negro tem a ver com a chegada da Petrobras à Turquia, para explorar petróleo de águas profundas, assim como já faz no Irã. Nos próximos dias a Petrobras abrirá uma representação em Istambul, e o embaixador Melloantonio garantiu ao ministro do Exterior do Azerbaijão que é apenas uma questão de tempo a Petrobras também estar presente na exploração no Mar Cáspio.
Na verdade, a Petrobras começa a ampliar sensivelmente sua atuação no exterior como conseqüência da auto-suficiência anunciada ontem. A maior parte de nossa produção é de óleo pesado, que precisa ser trocada por óleo de melhor qualidade no exterior e, portanto, continuamos a depender em certa medida para o mercado internacional de petróleo.
Quanto mais petróleo conseguirmos descobrir no exterior, mais confortáveis ficaremos no nosso abastecimento interno. Além do mais, como a conta da auto-suficiência foi feita com um crescimento médio de cerca de 2,5% dos últimos vinte anos, se a economia aumentar seu ritmo no futuro, continuaremos dependendo do mercado internacional para nosso abastecimento. Nesse sentido, a auto-suficiência não passa de uma jogada de marketing político em ano eleitoral.
As implicações políticas desse oleoduto têm a ver com a situação geográfica do Azerbaijão, situado entre três potências regionais, o Irã, a Russia e a Turquia. O oleoduto, financiado por empresas norte-americanas, custou mais caro para evitar o território iraniano, e permitir aos Estados Unidos terem uma garantia de suprimento de petróleo na região que não dependa dos países árabes. O momento politico instável, devido à crise do enriquecimento de urânio por parte do Irã, também coloca o Azerbaijão em posição política importante.
O embaixador Cesário Mellantonio, na palestra que fez ontem sobre o oleoduto Baku-TbilisiCeyham, ressaltou que a partir da decisão dos Estados Unidos de privilegiar a importação de petróleo no seu plano de energia, a região teve aumentada sua importância política, e os EUA aumentaram também sua presença militar na Ásia Central, Cáucaso e na região do Mar Cáspio, áreas tradicionalmente vistas sob a influência da Rússia e do Irã.
Existe também o temor de que, diante da evidência de que o oleoduto tem um traçado que não corresponde ao que seria economicamente mais viável, mas sim atende aos interesses estratégicos americanos, países como Irã, Rússia, China e Índia se unam para se contrapor à presença dos Estados Unidos na região.
São os acordos que a China tem com o Irã para garantir suprimento de petróleo que tiram sua disposição para aceitar sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU, do qual é membro permanente com poder de veto. Ao mesmo tempo, a busca crescente pela energia nuclear dificulta a pressão política contra o programa nuclear do Irã, oficialmente voltado para fins pacíficos. Existem também questões regionais atuando firmemente na insegurança de abastecimento de energia na região.
O recente atentado a gasoduto no Cáucaso, e as interrupções de suprimento, por disputas políticas com a Ucrânia, ou para garantir o abastecimento interno russo devido ao inverno mais rigoroso este ano, mostram o poder que a Rússia tem, não apenas no jogo político regional com os países do Leste Europeu, antigos integrantes da União Soviética, mas também com repercussões na Europa Ocidental, que depende da distribuição do gás russo. Por isso os Estados Unidos procuram suas próprias alternativas na região, e contam com o petróleo do Mar Cáspio.
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