Entrevista:O Estado inteligente

sábado, novembro 12, 2005

PRIMEIRA LEITURA:VEXAME

Congresso aprova prorrogação da CPI dos Correios por 120
dias; governo, que chegou a se julgar vitorioso, apela a Renan
para virar o placar na base do "tapetão", mas perde de novo;
decisão já foi encaminhada para publicação no Diário Oficial
*
PFL e PSDB comemoram derrota histórica do Planalto, que
queria evitar avanço de investigações em estatais e fundos de
pensão em ano eleitoral; não bastasse, fica desmoralizada a
promessa de Lula de que não atrapalharia trabalho de CPIs
*
IstoÉ Dinheiro: Pizzolato diz que operação Visanet-BB foi
feita a mando de Gushiken; outra reportagem informa que
Palocci recebeu R$ 1 mi de bingos e revela ligações entre a
empresa de Ribeirão Preto Leão Leão e... a Visanet, claro
*
Com ministro da Fazenda na berlinda, Levy sai do governo

Uma vitória do governo anunciada à meia-noite
de quinta-feira — e que chegou a ir para a primeira página
dos principais jornais do país — virou uma derrota à luz do
dia desta sexta-feira. O anúncio de que o Planalto havia
conseguido retirar um número suficiente de assinaturas
do requerimento de prorrogação dos trabalhos da CPI
dos Correios foi por água abaixo, depois da recontagem
promovida pela Mesa do Senado na manhã seguinte.
Para que a CPI continuasse a investigar até 11 de abril
de 2006 — ou 10 de junho se houver recesso de
60 dias —, eram necessárias assinaturas de 171 deputados
e 27 senadores. O secretário-geral da Mesa do Senado,
Raimundo Carreiro, depois da recontagem, forneceu o
seguinte resultado: 171 assinaturas de deputados e
35 de senadores confirmadas, 66 assinaturas retiradas,
30 assinaturas repetidas e uma ilegível, além de quatro
que não que conferiam. O resultado foi contestado pelos
governistas, que não contentes com o vexame, passaram
a investir na lambança. Eles foram se queixar ao presidente
do Congresso, Renan Calheiros, e fizeram apelos para
que houvesse uma terceira contagem. Como argumento,
apresentaram pelo menos três casos de deputados
que haviam aderido e, depois, teriam pedido para tirar seus
nomes, sem ser atendidos. Ocorre que a oposição protocolou
depois a adesão dos nomes deles à prorrogação.
Valeu o último desejo registrado. Em resumo, a oposição
manobrou melhor e de acordo com o regimento.

DERROTA HISTÓRICA — A derrota do governo
pode ser considerada histórica. Ter uma CPI trabalhando
em pleno ano eleitoral já seria desastre suficiente,
mas há agravantes. O Planalto, segundo a oposição, queria
evitar a todo custo que o trabalho de auditorias pedidas
pela CPI dos Correios em estatais e fundos de pensão,
que estão só no começo, fossem adiante. Por fim, o inútil
esforço para virar votos simplesmente desmoralizou as
repetidas promessas do presidente Lula de não criar
embaraços para as investigações.

ISTOÉ DINHEIRO — A revista IstoÉ Dinheiro, que
começa a circular nesta sexta-feira, traz entrevista,
concedida aos jornalistas Ivan Martins e Marcos Damiani,
com o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique
Pizzolato. Ele detalha o esquema BB-Visanet, pelo qual a
empresa DNA, do empresário Marcos Valério, recebeu
R$ 58,3 milhões antecipados do banco. Pizzolato diz que
foi Luiz Gushiken, quando era ministro da Secretaria de
Comunicação e Gestão Estratégica, quem mandou fechar
o negócio. A revista também traz reportagem do jornalista
Hugo Studart, que conta como o ministro da Fazenda,
Antonio Palocci, teria recebido R$ 1 milhão de empresários
do bingo em troca da legalização das casas de jogos. E ainda
quem é o famoso "Bill", que aparece várias vezes
conversando com o ex-assessor de Palocci,
Rogério Buratti, nas escutas legais feitas pela polícia.
"Bill" se chama, na verdade, Jorge Yazigi. Ele foi diretor
da empresa Leão Leão de Ribeirão Preto —
que supostamente pagaria um "mensalinho" a Palocci.
Antes da eleição de Lula, passou a ser um dos
vice-presidentes da Visanet.

LEVY — O secretário do Tesouro, Joaquim Levy, deixará
o governo Lula para assumir a gerência de Planejamento
Estratégico do Banco Interamericano de Desenvolvimento,
em Washington, no dia 1º de dezembro. A nomeação dele
foi anunciada em videoconferência pelo novo presidente
do BID, o colombiano Luis Alberto Moreno. Segundo fontes
do mercado financeiro, Levy negociou uma saída "honrosa"
do governo Lula. "Ninguém vai para o BID porque quer.
Levy percebeu que está sendo empurrado contra a parede:
seu chefe [o ministro da Fazenda, Antonio Palocci], se não
está em estado terminal, está na mesma situação do José Dirceu
depois do aparecimento do Waldomiro", disse a Primeira
Leitura o economista-chefe de um banco estrangeiro.




Arquivo do blog