(13/11/05 10:24)
Permitida a reprodução citando a fonte
http://www.e-agora.org.brEnquanto os jornais dos dois últimos dias revelam fortes indícios de que Lula agiu diretamente contra a prorrogação da CPI dos Correios (vejam a matéria de Eduardo Scolese e Pedro Leite, na Folha de S. Paulo de ontem, reproduzida abaixo), analistas, colunistas políticos e líderes oposicionistas ficam discutindo (e, incrível, até tomando partido) na "briga" Palocci x Dilma. É muita falta de foco.
A suposta "briga" entre o ministro da Fazenda e a ministra-chefe da Casa Civil não tem a menor relevância no momento atual. Essa briga já existia. Nos últimos tempos não há governo em que ministros políticos que querem gastar o orçamento fazendo coisas não briguem com a área econômica que quer economizar (chega a ser ridículo dito assim), por razões óbvias e, quase sempre erradas – ou seja, é uma disputa em que ambas as partes, em geral, têm razão – o que significa, no caso, dizer que todos estão errados.
Mas não vamos entrar aqui na controvérsia sobre o tamanho do superávit fiscal versus os sempre julgados tão necessários investimentos estatais para promover o desenvolvimento e blá, blá, blá.
O problema é que o país está nas mãos de um grupo privado cujo chefe não pode continuar – simplesmente não pode continuar – agindo como está.
Não sei se me faço entender. Vou tentar explicar novamente. Pela milésima vez: não estou falando do impeachment. Não sou tão boboca a ponto de acreditar na lorota inventada pelas oposições (notadamente pelo PSDB e pelo PFL), segundo a qual ou é o impeachment (para o qual não há condições e, sem condições, seria uma irresponsabilidade propô-lo) ou não é nada (a não ser encaminhar as conclusões das CPIs para a justiça e ficar esperando sentado as providências que... jamais virão).
Estou falando que o presidente e o seu ministro da Fazenda (ao que tudo indica mais responsável do que se julgou pelas operações ilegais que redundaram nisso tudo que estamos vendo) não podem continuar sendo poupados. Não estou falando do impeachment, entenderam? Outra vez, perdão caro leitor: não estou propondo o impeachment. Estou dizendo que Lula deve ser interpelado, agora e não amanhã, hoje e não nas urnas de 2006.
Interpelado para quê e por quê? Interpelado, denunciado, chamado a depor sobre o seu envolvimento (e o do seu governo) na promoção dos crimes e irregularidades e, sobretudo, agora, na obstrução das investigações. Lula não pode continuar se comportando como chefe de um bando. Ele é o presidente da República e não o comandante de uma facção envolvida em uma guerra entre grupos privados. Ou ele assume a posição de magistrado, ou – aí sim – deve ser instado a deixar a chefia do governo e do Estado. O que não pode é Lula continuar agindo assim, mentindo à nação e interferindo para abafar os escândalos e nada acontecer. E as oposições, por medo de alguma coisa (talvez de ordem sobrenatural, já que os mortais comuns não conseguem perceber o que seja) prosseguirem irresponsavelmente fingindo que tudo bem, aceitando um jogo que não faz parte da vida republicana.
Entrar em qualquer disputa colocada pelo governo ou dentro do governo é a maior burrice que a oposição pode cometer. Antes era a briga de Dirceu contra a área econômica. Agora é a Dilma. Essa pauta pode interessar aos economistas mas não interessa ao país, não, pelo menos, neste momento.
O PT sempre tentou – e, em grande parte, conseguiu – fazer com que os seus adversários fossem capturados para dentro do mundinho que criou para si, assumindo, sem se dar conta, suas regras como normas válidas e reproduzindo suas controvérsias particulares como se fossem assuntos de interesse comum. E os basbaques quase sempre caíram na esparrela.
Ora, não nos interessa – aos democratas brasileiros – a vida interna do PT. São assuntos privados.
O PT privatizou tanto a vida política nacional que consegue privatizar inclusive a disputa das idéias, pautando a cena pública com seus assuntos. Muitas vezes uma controvérsia interna era urdida pelo PT com o simples propósito de levantar a bola na entrada da área para Lula chutar. Então lá vinha ele com alguma decisão salomônica e apaziguava os ânimos, reafirmando sua liderança supostamente acima dos conflitos.
Sim, gostaríamos que Lula tivesse tal comportamento em relação às questões públicas, não de mentirinha, mas para valer mesmo. Gostaríamos que ele não se metesse nas investigações em curso, que seguem o ritmo constitucional previsto. Gostaríamos que ele tentasse salvar o que resta da sua biografia adotando uma postura de estadista.
Sabemos que Lula não fará isso. Por isso precisamos interpelá-lo formalmente. Precisamos denunciá-lo dentro e fora do país. Lula não pode se comportar como quem comanda uma guerra interna em um país que não está em guerra civil. Não pode transformar o Palácio do Planalto em um bunker para coagir oposicionistas e comprar aliados às vésperas de decisões que podem prejudicar suas pretensões privadas, individuais ou grupais, de poder.
Quando um presidente faz isso, ele perde completamente a legitimidade que obteve nas urnas, não importa o número de votos que obteve e o número dos que ainda pretendem apoiá-lo em uma próxima eleição. Quando um presidente faz isso ele se coloca fora do campo do diálogo democrático e investe no derruimento das instituições.
Esse é o ponto. Se a política for transformada numa guerra e se o chefe de governo e do Estado se comporta como chefe de uma facção beligerante, então ele não é mais o chefe do governo e do Estado (de todos) e sim o chefe de um aparelho governamental privatizado e de um 'Estado paralelo' (de alguns) que criou ou pretende criar.
Não há – como repetem tolamente certos analistas políticos – uma guerra entre PT e PSDB (e PFL e demais partidos oposicionistas) ou entre governo e oposição. O que há é um presidente que ao invés de se comportar como chefe de governo se comporta como chefe de um grupo. O que há é um governo (e um partido que dele se apossou) que instaurou a maior operação de aparelhamento já vista na história recente e que lançou mão de meios criminosos em larga escala para falsificar o processo democrático às custas do roubo de recursos públicos visando a se perpetuar no poder. A oposição protesta, esperneia, como é seu dever, mas não constitui um outro pólo de poder nesse confronto. Eis uma situação esdrúxula e perigosíssima para a democracia: é como se houvesse dualidade de poder sem que um dos pólos tivesse poder, o que serve apenas para prorrogar o poder de quem já o detém.
Pelo amor de Deus! Entendam a gravidade da situação em que vivemos.
Lula agiu diretamente contra a prorrogação
Eduardo Scolese e Pedro Dias Leite, Folha de São Paulo (12/11/05)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em discursos e entrevistas afirma que o Planalto não intervém nos assuntos do Congresso, atuou diretamente nas articulações para que a sua base de apoio no Congresso conseguisse barrar o requerimento de prorrogação do prazo de funcionamento da CPI dos Correios. A atitude do presidente foi criticada pela oposição, que viu "cinismo" de Lula.
A ação do presidente para evitar a extensão dos trabalhos da comissão foi reforçada pela ausência em Brasília do coordenador político do governo. O ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais), que recentemente capitalizou os louros pela vitória de Aldo Rebelo (PC do B) na eleição da presidência da Câmara, está em viagem à Suíça e a Israel.
Anteontem, as articulações do presidente começaram na viagem a Teófilo Otoni (MG), à tarde, e prosseguiram até o final da noite. Assim que desembarcou em Brasília, por volta das 20h, Lula seguiu direto para o Palácio do Planalto, onde ficou até as 23h30.
O presidente recebeu o ministro petebista Walfrido Mares Guia (Turismo), que, do gabinete presidencial, mantinha contato por telefone com o líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE).
A tentativa do governo para derrubar o requerimento contou até com ações discretas do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), que procurou parlamentares próximos para buscar demovê-los de estender a comissão. Ontem, Lula comentou com auxiliares que "estava cansado" por ter "tratado pessoalmente" da CPI.
A atuação de Lula repete a adotada em maio passado, quando já havia trabalhado para evitar a instalação da mesma CPI.
Na última segunda-feira, em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, Lula disse que podia andar de "cabeça erguida" por não haver, segundo ele, "ingerência do governo" diante das CPIs. "O que é importante para mim e que me deixa muito de cabeça erguida é o seguinte: nós estamos com três CPI funcionando, não há nenhuma ingerência do governo para criar nenhum problema para a CPI. Acho que o povo brasileiro deve aproveitar que eu estou na Presidência da República e, se alguém tiver denúncias, tem que fazer as denúncias porque elas serão apuradas."
Por conta dessas articulações e também para abafar os atritos entre Dilma Rousseff (Casa Civil) e Antonio Palocci Filho (Fazenda), Lula cancelou viagens à Bahia e ao Espírito Santo, previstas para ontem e anteontem.
No Planalto, porém, a versão oficial continua sendo a de que Lula não interfere no Legislativo e que as viagens foram canceladas por supostos problemas entre o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e o Grupo Suzano, empresa da qual o presidente visitaria uma fábrica, em Mucuri (BA).
"Cinismo"
Para a oposição, o presidente Lula demonstrou "cinismo" ao dizer em entrevista ao programa "Roda Viva" que queria que as investigações feitas pelo Congresso fossem até o final.
"Se ele [Lula] tivesse conseguido retirar as assinaturas suficientes demonstraria seu cinismo mas também sua força. Como não conseguiu, ficou patente a fraqueza do governo, o fisiologismo e como estão atarantados, perdidos", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Para o líder do PFL, senador José Agripino (RN), são uma "farsa" as declarações de Lula de que apóia CPIs. "Queda e coice. Além de se expor trabalhando pela retirada de assinaturas, tornando claro que a entrevista de Lula foi uma farsa, vão ter que se submeter às conseqüências da derrota."
O presidente da CPI dos Correios, senador petista Delcídio Amaral (MS), também criticou. "Eu acho que o governo podia ter negociado um prazo anterior a abril. Faltou diálogo", disse.
Colaborou Fernanda Krakovics, da Sucursal de Brasília
A suposta "briga" entre o ministro da Fazenda e a ministra-chefe da Casa Civil não tem a menor relevância no momento atual. Essa briga já existia. Nos últimos tempos não há governo em que ministros políticos que querem gastar o orçamento fazendo coisas não briguem com a área econômica que quer economizar (chega a ser ridículo dito assim), por razões óbvias e, quase sempre erradas – ou seja, é uma disputa em que ambas as partes, em geral, têm razão – o que significa, no caso, dizer que todos estão errados.
Mas não vamos entrar aqui na controvérsia sobre o tamanho do superávit fiscal versus os sempre julgados tão necessários investimentos estatais para promover o desenvolvimento e blá, blá, blá.
O problema é que o país está nas mãos de um grupo privado cujo chefe não pode continuar – simplesmente não pode continuar – agindo como está.
Não sei se me faço entender. Vou tentar explicar novamente. Pela milésima vez: não estou falando do impeachment. Não sou tão boboca a ponto de acreditar na lorota inventada pelas oposições (notadamente pelo PSDB e pelo PFL), segundo a qual ou é o impeachment (para o qual não há condições e, sem condições, seria uma irresponsabilidade propô-lo) ou não é nada (a não ser encaminhar as conclusões das CPIs para a justiça e ficar esperando sentado as providências que... jamais virão).
Estou falando que o presidente e o seu ministro da Fazenda (ao que tudo indica mais responsável do que se julgou pelas operações ilegais que redundaram nisso tudo que estamos vendo) não podem continuar sendo poupados. Não estou falando do impeachment, entenderam? Outra vez, perdão caro leitor: não estou propondo o impeachment. Estou dizendo que Lula deve ser interpelado, agora e não amanhã, hoje e não nas urnas de 2006.
Interpelado para quê e por quê? Interpelado, denunciado, chamado a depor sobre o seu envolvimento (e o do seu governo) na promoção dos crimes e irregularidades e, sobretudo, agora, na obstrução das investigações. Lula não pode continuar se comportando como chefe de um bando. Ele é o presidente da República e não o comandante de uma facção envolvida em uma guerra entre grupos privados. Ou ele assume a posição de magistrado, ou – aí sim – deve ser instado a deixar a chefia do governo e do Estado. O que não pode é Lula continuar agindo assim, mentindo à nação e interferindo para abafar os escândalos e nada acontecer. E as oposições, por medo de alguma coisa (talvez de ordem sobrenatural, já que os mortais comuns não conseguem perceber o que seja) prosseguirem irresponsavelmente fingindo que tudo bem, aceitando um jogo que não faz parte da vida republicana.
Entrar em qualquer disputa colocada pelo governo ou dentro do governo é a maior burrice que a oposição pode cometer. Antes era a briga de Dirceu contra a área econômica. Agora é a Dilma. Essa pauta pode interessar aos economistas mas não interessa ao país, não, pelo menos, neste momento.
O PT sempre tentou – e, em grande parte, conseguiu – fazer com que os seus adversários fossem capturados para dentro do mundinho que criou para si, assumindo, sem se dar conta, suas regras como normas válidas e reproduzindo suas controvérsias particulares como se fossem assuntos de interesse comum. E os basbaques quase sempre caíram na esparrela.
Ora, não nos interessa – aos democratas brasileiros – a vida interna do PT. São assuntos privados.
O PT privatizou tanto a vida política nacional que consegue privatizar inclusive a disputa das idéias, pautando a cena pública com seus assuntos. Muitas vezes uma controvérsia interna era urdida pelo PT com o simples propósito de levantar a bola na entrada da área para Lula chutar. Então lá vinha ele com alguma decisão salomônica e apaziguava os ânimos, reafirmando sua liderança supostamente acima dos conflitos.
Sim, gostaríamos que Lula tivesse tal comportamento em relação às questões públicas, não de mentirinha, mas para valer mesmo. Gostaríamos que ele não se metesse nas investigações em curso, que seguem o ritmo constitucional previsto. Gostaríamos que ele tentasse salvar o que resta da sua biografia adotando uma postura de estadista.
Sabemos que Lula não fará isso. Por isso precisamos interpelá-lo formalmente. Precisamos denunciá-lo dentro e fora do país. Lula não pode se comportar como quem comanda uma guerra interna em um país que não está em guerra civil. Não pode transformar o Palácio do Planalto em um bunker para coagir oposicionistas e comprar aliados às vésperas de decisões que podem prejudicar suas pretensões privadas, individuais ou grupais, de poder.
Quando um presidente faz isso, ele perde completamente a legitimidade que obteve nas urnas, não importa o número de votos que obteve e o número dos que ainda pretendem apoiá-lo em uma próxima eleição. Quando um presidente faz isso ele se coloca fora do campo do diálogo democrático e investe no derruimento das instituições.
Esse é o ponto. Se a política for transformada numa guerra e se o chefe de governo e do Estado se comporta como chefe de uma facção beligerante, então ele não é mais o chefe do governo e do Estado (de todos) e sim o chefe de um aparelho governamental privatizado e de um 'Estado paralelo' (de alguns) que criou ou pretende criar.
Não há – como repetem tolamente certos analistas políticos – uma guerra entre PT e PSDB (e PFL e demais partidos oposicionistas) ou entre governo e oposição. O que há é um presidente que ao invés de se comportar como chefe de governo se comporta como chefe de um grupo. O que há é um governo (e um partido que dele se apossou) que instaurou a maior operação de aparelhamento já vista na história recente e que lançou mão de meios criminosos em larga escala para falsificar o processo democrático às custas do roubo de recursos públicos visando a se perpetuar no poder. A oposição protesta, esperneia, como é seu dever, mas não constitui um outro pólo de poder nesse confronto. Eis uma situação esdrúxula e perigosíssima para a democracia: é como se houvesse dualidade de poder sem que um dos pólos tivesse poder, o que serve apenas para prorrogar o poder de quem já o detém.
Pelo amor de Deus! Entendam a gravidade da situação em que vivemos.
Lula agiu diretamente contra a prorrogação
Eduardo Scolese e Pedro Dias Leite, Folha de São Paulo (12/11/05)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em discursos e entrevistas afirma que o Planalto não intervém nos assuntos do Congresso, atuou diretamente nas articulações para que a sua base de apoio no Congresso conseguisse barrar o requerimento de prorrogação do prazo de funcionamento da CPI dos Correios. A atitude do presidente foi criticada pela oposição, que viu "cinismo" de Lula.
A ação do presidente para evitar a extensão dos trabalhos da comissão foi reforçada pela ausência em Brasília do coordenador político do governo. O ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais), que recentemente capitalizou os louros pela vitória de Aldo Rebelo (PC do B) na eleição da presidência da Câmara, está em viagem à Suíça e a Israel.
Anteontem, as articulações do presidente começaram na viagem a Teófilo Otoni (MG), à tarde, e prosseguiram até o final da noite. Assim que desembarcou em Brasília, por volta das 20h, Lula seguiu direto para o Palácio do Planalto, onde ficou até as 23h30.
O presidente recebeu o ministro petebista Walfrido Mares Guia (Turismo), que, do gabinete presidencial, mantinha contato por telefone com o líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE).
A tentativa do governo para derrubar o requerimento contou até com ações discretas do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), que procurou parlamentares próximos para buscar demovê-los de estender a comissão. Ontem, Lula comentou com auxiliares que "estava cansado" por ter "tratado pessoalmente" da CPI.
A atuação de Lula repete a adotada em maio passado, quando já havia trabalhado para evitar a instalação da mesma CPI.
Na última segunda-feira, em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, Lula disse que podia andar de "cabeça erguida" por não haver, segundo ele, "ingerência do governo" diante das CPIs. "O que é importante para mim e que me deixa muito de cabeça erguida é o seguinte: nós estamos com três CPI funcionando, não há nenhuma ingerência do governo para criar nenhum problema para a CPI. Acho que o povo brasileiro deve aproveitar que eu estou na Presidência da República e, se alguém tiver denúncias, tem que fazer as denúncias porque elas serão apuradas."
Por conta dessas articulações e também para abafar os atritos entre Dilma Rousseff (Casa Civil) e Antonio Palocci Filho (Fazenda), Lula cancelou viagens à Bahia e ao Espírito Santo, previstas para ontem e anteontem.
No Planalto, porém, a versão oficial continua sendo a de que Lula não interfere no Legislativo e que as viagens foram canceladas por supostos problemas entre o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e o Grupo Suzano, empresa da qual o presidente visitaria uma fábrica, em Mucuri (BA).
"Cinismo"
Para a oposição, o presidente Lula demonstrou "cinismo" ao dizer em entrevista ao programa "Roda Viva" que queria que as investigações feitas pelo Congresso fossem até o final.
"Se ele [Lula] tivesse conseguido retirar as assinaturas suficientes demonstraria seu cinismo mas também sua força. Como não conseguiu, ficou patente a fraqueza do governo, o fisiologismo e como estão atarantados, perdidos", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Para o líder do PFL, senador José Agripino (RN), são uma "farsa" as declarações de Lula de que apóia CPIs. "Queda e coice. Além de se expor trabalhando pela retirada de assinaturas, tornando claro que a entrevista de Lula foi uma farsa, vão ter que se submeter às conseqüências da derrota."
O presidente da CPI dos Correios, senador petista Delcídio Amaral (MS), também criticou. "Eu acho que o governo podia ter negociado um prazo anterior a abril. Faltou diálogo", disse.
Colaborou Fernanda Krakovics, da Sucursal de Brasília