O GLOBO
Sobre as batalhas diárias entre policiais e traficantes na Rocinha temos notícias abundantes. E praticamente nenhuma animadora: a morte (quase sempre) ou a prisão (raramente) de um chefe do tráfico pouco afetam o domínio da comunidade pelos bandidos.
Periodicamente acontece uma temporada de mais forte e mais constante presença da polícia, com prisões, tiroteios, mortes, apreensão de drogas etc. E sem mudanças no essencial: a favela continua sob o controle do narcotráfico.
Mas outro dia houve novidade importante, pelo menos para nos ajudar a entender um pouco melhor o problema, que é de todas as comunidades faveladas: a juíza Kátia Jangutta mandou soltar o líder comunitário William de Oliveira, acusado de conivência com os bandidos. É importante registrar que ele não foi absolvido, nem ganhou hábeas-corpus. Na verdade, todos os seus pedidos a respeito — um total de 15 — foram negados. Ele passou oito meses preso, e sabe-se lá quando será definitivamente absolvido ou condenado.
Mas foi libertado porque a juíza, com apoio da promotoria, recusou o argumento que o mantinha preventivamente na cadeia antes de declarado inocente ou culpado. Com base em provas e depoimentos de todas as testemunhas arroladas, ela decidiu que a ausência de William não contribuía, como fora alegado pelas autoridades, para pacificar a Rocinha.
Ao contrário: sem ele, a violência dos bandidos aumentou. William e outro dirigente comunitário, Alexandre Leopoldino, disse Jangutta, "esforçavam-se por manter equilibradas as relações interpessoais travadas naquela comunidade". A promotoria disse a mesma coisa: "A alegação de que a ordem pública foi tranqüilizada depois de suas prisões mostrou-se inverídica."
A Polícia Militar parece não discordar: segunda-feira, já solto, William acompanhou o comandante-geral da PM numa visita à Associação Pró-Melhoramentos da Rocinha.
Ninguém nega que William tinha — e certamente continuará tendo — contatos com o tráfico. Ou não estaria vivo. Por outro lado, parece evidente que não ajudou consideravelmente nenhuma das quadrilhas que se revezaram no domínio sobre a comunidade. Como diz a vereadora Andréa Gouvêa Vieira, que tem contatos e eleitores na favela, se ele fosse intimamente ligado a qualquer dos bandidos que mandaram na Rocinha nos últimos tempos, algum deles já o teria matado ao assumir o poder.
Claro, é teoricamente inaceitável que um líder comunitário só possa trabalhar pelos seus vizinhos se algum serviço prestar aos bandidos. Mas, na prática, pelo visto e sabido, precisamos torcer pela sobrevivência de representantes dos moradores que ajudem a comunidade tanto quanto lhes for possível e prestem serviços aos criminosos tão pouco quanto conseguirem.
Ruim com eles, pior sem eles. Com essa frase não se define uma saída honrosa, desejável, definitiva: essa até agora ninguém formulou, sequer em linhas gerais. Por enquanto, portanto, ainda bem que William voltou para casa.
Entrevista:O Estado inteligente
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