Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, novembro 10, 2005

Fwd: Tereza Cruvinel A bola da vez





Tereza Cruvinel

Blog do Colunista    cruvinel@bsb.oglobo.com.br




Acabou a indulgência da oposição com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e isso pode levar a crise a um novo patamar. Hoje Rogério Buratti e Vladimir Poleto deporão na CPI dos Bingos sobre a suposta conexão cubano-petista e os adversários tentarão tirar-lhes veneno da língua contra o ministro. A convocação do próprio Palocci vai se tornando quase inevitável.

A oposição diz que o surgimento de novas denúncias é que o puseram na roda. Os governistas vêem de outro modo: Palocci está se tornando a bola da vez porque Dirceu já é considerado fósforo queimado. Depois dele, sobraria apenas Lula no centro do alvo.

Mais ainda: acham os governistas que a denúncia que envolve os ex-assessores de Palocci na Prefeitura de Ribeirão Preto já estava engatilhada por adversários que davam como certa a cassação de Dirceu no dia 9. Faria, portanto, parte de uma escalada para ir detonando os generais petistas e os pontos de apoio de Lula. Com seus recursos, Dirceu conseguiu adiamentos no Conselho de Ética e com os feriados a votação em plenário ficou para o próximo dia 23 mas a bomba anti-Palocci acabou sendo detonada mesmo assim.

No círculo de Dirceu ouve-se a mesma coisa: que cometeram um grosseiro erro de cálculo os que acharam, no PT e no governo, que sua decapitação levaria ao arrefecimento da crise. Logo, quanto mais cedo acontecesse, melhor para todos. Pelo contrário, diz um de seus amigos. Com Dirceu fora de cena, o canhão adversário tentará acertar diretamente o ocupante do Planalto.

Ante a ameaça do líder pefelista Rodrigo Maia de denunciar Palocci ao STF por crime de segurança — por estar ignorando convocações do Congresso — ele acertou sua ida à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado no dia 22. Ali falará da economia e pode até responder a perguntas da oposição sobre os casos obscuros em que estão metidos Buratti e Poleto. O do dinheiro cubano foi o último, e mais uma vez os dois apontaram o falecido Ralf Barquete como testemunha e/ou participante. Saindo-se bem, Palocci pode até ser dispensado de ir à CPI. Mas são claros os sinais de que a oposição agora está com ganas de atingi-lo, já não se preocupando com os efeitos de seu enfraquecimento ou desgaste sobre a economia. Rodrigo Maia disparou petardos fortes contra ele ontem na tribuna. Tucanos e pefelistas em geral puseram de lado o cuidado com que até aqui tratavam o condutor da economia.

O PT e os aliados acham não apenas que Palocci virou a bola da vez dentro de uma estratégia de detonações seriadas concebidas pela oposição. Acham mesmo que a coligação tucano-pefelista, em 2006, não hesitará em fazer movimentos desestabilizadores, que teriam no ataque de agora apenas um ensaio.

As maçãs podres e as boas

As estripulias de Marcos Valério puseram as agências publicidade no olho do furacão. Tratamos disso, de forma um tanto generalizante, apontando-as como sucessoras das empreiteiras na associação com políticos para montar caixa dois e esquemas de financiamento de campanhas com dinheiro público ou de origem duvidosa. É sabido que não apenas a DNA e a SMP&B se dedicaram a estas práticas. Há outras por aí, ouve-se no próprio meio. Mas a grande maioria continua dedicada à sua atividade fim, a propaganda. Alguns se queixaram da generalização. Fernando Barros, da Propeg, diz que sua agência nunca recebeu pagamentos antes de entregar os serviços e nunca repassou recursos a políticos. Mas teria sido envolvido no caso que agita a Bahia por forças interessadas em atingir o governador Paulo Souto. "Nossa atividade atravessa seu pior momento", diz ele.

Também por isso, para evitar que alguns joguem nódoa sobre toda a atividade, é hora de se aprovar novas regras de controle e transparência para a publicidade oficial.

Como será no verão

O fim do ano se aproxima e com isso a disputa entre governo, que anseia por um recesso que jogue água na crise, e a oposição, que tudo fará para manter a fornalha acesa. No Senado, está em curso a disputa sobre a prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios até março. A dos Bingos já ganhou sobrevida.

Na Câmara, o problema é como manter o Conselho de Ética funcionando, para que os processos de cassação sigam seu curso sem interrupção. Regimentalmente, ele só pode funcionar se houver convocação extraordinária.

O presidente da Casa, Aldo Rebelo, examina três possibilidades. Uma, seria a aprovação de uma mudança no regimento, permitindo que o Conselho funcione sozinho enquanto os outros descansam. Outra seria a auto-convocação, que dispensaria o pagamento extraordinário. Haveria na prática um recesso branco. O Conselho funcionaria e para os que quisessem, haveria microfone e sessões, mas não deliberativas.

— Outra hipótese a ser examinada é uma convocação convencional, com o pagamento adicional regulamentar. O Conselho daria continuidade a seus trabalhos e o conjunto da Câmara poderia avançar na votação de matérias que são importantes e podem não ser aprovadas até 15 de dezembro — diz Aldo, afirmando não temer reações da sociedade ao abono extra.

Para cassar deputados, é bem possível que ela ache mesmo o custo justo.

REUNIDOS ONTEM em Brasília, os prefeitos de capitais apertaram o governo federal sobre o problema das tarifas de ônibus, que sobem em todo o país pressionadas por vários fatores. O governo, conta o prefeito de Manaus, Serafim Correa, admite até entrar com algum subsídio, mas não reduzir impostos.

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