BRASÍLIA - O ano político está quase no final e há algo a comemorar em meio ao caos causado pela crise política. Deputados e senadores não conseguiram encontrar tempo para votar as péssimas propostas de reforma política que tramitam no Congresso.
O sistema ficará menos pior do que é hoje se nada for feito, pois há duas normas que vigorarão de maneira completa, pela primeira vez, em 2006: a verticalização e a cláusula de desempenho. Se a crise mantiver os congressistas ocupados, eles não terão tempo de alterar essas regras.
No caso da verticalização, esse critério foi adotado de maneira extemporânea, em 2002, por decisão da Justiça. Agora, os partidos terão todo o tempo do mundo para se adaptarem: as alianças para presidente da República terão de ser replicadas (ou não contestadas) nos Estados.
Já a cláusula de barreira impedirá que fenômenos como Prona e adjacências sobrevivam por causa do democratismo instaurado pós-ditadura militar. Siglas com menos de 5% dos votos para deputado no país terão apenas dois minutos por semestre em rede nacional de rádio e TV. Ou seja, ficarão do tamanho que merecem -ou que os eleitores exigem no momento da eleição.
Desde o retorno do país à democracia, houve quatro eleições presidenciais (89, 94, 98 e 02). Todas com regras diferentes entre si. É possível que o Brasil tenha em 2006 a primeira escolha de um presidente com a mesma lei usada no pleito anterior.
Pode parecer pouco, mas a estabilidade das regras é uma das características principais num país moderno. Essa é a perspectiva -se deputados e senadores não tiverem a idéia de mudar tudo da noite para o dia. Por sorte, a crise os impede de trabalhar.

Sobre o ministro da Fazenda: Palocci saiu de Ribeirão Preto, mas Ribeirão Preto nunca saiu dele.