Entrevista:O Estado inteligente

domingo, novembro 13, 2005

ELIANE CANTANHÊDE A outra crise

 BRASÍLIA - Palocci pode até cair e Lula pode até determinar uma guinada no governo para flexibilizar o arrocho fiscal e adequar a economia aos interesses da política num tenso ano reeleitoral.
Mas, feliz ou infelizmente para Lula, não dá mais tempo para mudar o discurso batido e rebatido desde o início do governo. Ou, como me disse um candidato petista: "Passamos três anos tentando defender essa política econômica. Como é que vamos dizer que estava errada e passar a defender outra na última hora?". É com ela que Lula governa, é com ela que vai ter de enfrentar o palanque.
O mais importante nessa nova etapa da crise, intramuros, ou intravidros (já que dentro do Palácio do Planalto), é que Palocci caiu de patamar, e Dilma Rousseff subiu.
Palocci está acossado por denúncias variadas e repetidas de seus próprios ex-assessores e está para ir ao Congresso ainda neste mês para explicações. Ela, ao contrário, manda e desmanda, grita quando necessário e está cada vez mais próxima de Lula. Um Lula que, de tanto apanhar, finalmente decidiu tomar as rédeas do próprio governo. Para isso, depende da Casa Civil e da força da ministra.
Dilma, assim, é o novo fator. Num universo em que Dirceu caiu, Gushiken se recolheu, Palocci está ferido, Thomaz Bastos atua pontualmente, Dulci é Dulci e Jaques Wagner é um homem dividido (entre o dever em Brasília e a praia em Salvador), é uma mulher quem reúne a garra, o conhecimento e o gosto pelo trabalho que talvez falte aos outros.
No governo, parece prevalecer a dupla Lula-Dilma. Agora, falta definir a equipe da campanha, sem Dirceu, sem Duda Mendonça, sem Genoino, sem Delúbio, sem Silvio Pereira e, aparentemente, sem Palocci.
Na campanha de 2002, Lula prometia mudança. Pode não ter mudado muito a economia, os métodos, os financiamentos. Mas, taí, não pára de mudar a equipe e vai continuar mudando. Até porque o problema pode não estar só nela, mas nele.

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