Entrevista:O Estado inteligente

domingo, novembro 13, 2005

CLÓVIS ROSSI A República 171

 SÃO PAULO - Nada poderia ser mais emblemático do momento que vive a República do que o número (171) que foi notícia nos dias finais da semana que terminou. Como se sabe, 171 é o artigo do Código Penal que trata de estelionato. Foi também o número mágico para determinar se haveria ou não prorrogação dos trabalhos da CPMI dos Correios.
Deu 171 na cabeça.
A coincidência de números parece piada pronta. Mas não é. Piada pronta -e de péssimo gosto- é a política brasileira. Começa pela pantomima de o governo comemorar, na quinta-feira, a falta do 171, para constatar, na sexta-feira, que havia perdido e que dera 171.
Continua com o fato de que o governo jogou dinheiro fora alegremente. Pena que seja o meu, o seu, o nosso dinheirinho, atirado pela janela para comprar deputados por meio de emendas e outras prebendas. Ou, posto de outra forma, o "mensalão" continua. Só mudou de forma, apesar de o presidente da República dizer que ele não existe.
Agrava a farsa o fato de que os jornalistas estamos dando nossa contribuição para o 171, na medida em que levamos a palhaçada a sério, fazemos análises politicamente corretas, tratamos os políticos como se todos fossem de fato respeitáveis.
Houve até quem dissesse, quando o 171 parecia não ter sido atingido, que o governo dera uma demonstração de força. Num mundo sério, governo forte não teme investigação. Num mundo sério, governo forte não compra parlamentares, convence-os.
Não cabe inocentar a oposição. Oposição séria não precisa esperar a meia-noite para apresentar mais assinaturas e completar assim o 171, porque sabe que os que assinaram não estão à venda e manterão a assinatura. Mas boa parte da oposição não é séria, não apenas porque impediu investigações similares quando estava no poder como porque vários de seus integrantes venderam-se e quase impediram que a República ganhasse o número que merece.

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