Entrevista:O Estado inteligente

sábado, novembro 05, 2005

EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO O BC ABRE A GUARDA?

 O Banco Central (BC) anunciou na segunda-feira que modificará, a partir de 2006, a periodicidade com que seu Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá para deliberar a respeito do nível da taxa Selic. Tais reuniões, que desde o ano 2000 vinham sendo realizadas a cada mês, passarão a ocorrer a intervalos de aproximadamente 44 dias, de modo que o número de reuniões ordinárias anuais passará de 12 para oito.
Para justificar a decisão, o BC invocou a "crescente normalização e estabilidade do ambiente econômico do país". De fato, espaçar as decisões sobre a taxa de juros básica não parece problemático -desde que a mudança não seja utilizada como pretexto para frear a esperada e ansiada redução dessa taxa.
A disposição demonstrada pelo BC de introduzir uma alteração no calendário de execução da política monetária poderia estender-se a outros aspectos, mais relevantes, da operação dessa política. Muitos observadores há tempos vêm sugerindo mudanças em diversos parâmetros e procedimentos relativos às metas de inflação, a diretriz que desde 1999 orienta a fixação dos juros pelo BC.
Essas sugestões incluem o emprego de intervalos de tempo mais flexíveis e mais extensos do que o ano gregoriano para definir as metas e aferir seu cumprimento. Também incluem a utilização de medidas de inflação menos rígidas e menos voláteis do que o índice "cheio".
No caso brasileiro, utilizar o chamado "núcleo" do índice de preços seria mais indicado, tendo em vista a rigidez provocada pelo grande peso no IPCA (o índice de preços que baliza as metas) de itens que têm sua variação vinculada ao comportamento passado da inflação (os chamados preços administrados, que respondem por cerca de 30% do índice).
Há muito o BC vem ignorando tais sugestões. Resta esperar que a disposição de efetuar mudanças na política de metas de inflação não se restrinja à questão da freqüência das deliberações sobre a taxa Selic.

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