Entrevista:O Estado inteligente

sábado, novembro 05, 2005

EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO ENFIM, AS ORIGENS

 Que a origem dos dinheiros movimentados pelo esquema PT-Marcos Valério não residia simplesmente em empréstimos bancários era algo de que já se suspeitava. O caráter artificial dessas operações era evidente, embora as CPIs instituídas para apurar as denúncias de corrupção não tivessem, até aqui, apontado nada de mais concreto sobre as verdadeiras fontes.
Anteontem, enfim, surgiu a primeira informação relevante. Segundo o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), a comissão concluiu que o Banco do Brasil destinou R$ 10 milhões para o PT numa intricada movimentação por intermédio de empresas das quais o operador Marcos Valério é sócio. O responsável mais visível pela transferência é o ex-diretor de marketing do banco, Henrique Pizolatto.
Essas conclusões da CPI retiram os inquéritos do estado de letargia em que se encontravam e abrem a perspectiva de que as apurações avancem no sentido de elucidar o "modus operandi" da corrupção sob o governo petista -pois é disso que se trata, como vem a atestar o desvio de dinheiro de um banco público.
É difícil crer que essa tenha sido a única operação irregular envolvendo fundos de empresas controladas pela União. Outras estatais muito provavelmente serviram ao mesmo propósito. É indispensável identificá-las e apontar os agentes responsáveis pelas possíveis fraudes -não apenas os operadores, mas os mentores políticos, os verdadeiros arquitetos da malversação.
Resta também esclarecer como pessoas físicas e empresas privadas eventualmente contribuíram para alimentar os recursos "não contabilizados" que foram para os cofres do PT. Trata-se de uma questão espinhosa, cujo esclarecimento tende a ser cerceado por interesses os mais diversos. Mas é algo que não pode permanecer à sombra, sob pena de o país mais uma vez deixar esvair a oportunidade de combater a fundo práticas deletérias que minam as instituições e subvertem os mais elementares princípios republicanos.

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