Entrevista:O Estado inteligente

sábado, novembro 05, 2005

CLÓVIS ROSSI Melhor nem acreditar

FSP
MAR DEL PLATA - Prefiro acreditar que o relator da CPMI dos Correios, o sóbrio deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), se tenha precipitado ao anunciar que ao menos parte do dinheiro do PTduto saiu de uma porta lateral do Banco do Brasil.
Se foi assim mesmo, fica reduzida a cacos a credibilidade do presidente da República e de um de seus novos pilares, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, com as conseqüências políticas decorrentes.
Explico: 1 - O presidente da República atribuiu o PTduto, na famosa entrevista dada em Paris, a um mecanismo que "todo mundo" usaria "sistematicamente" (o caixa dois).
Já era grave a leniência com um crime (caixa dois é coisa de "bandidos", lembra-se dessa frase do ministro da Justiça?). Ficaria mais grave o presidente ter mentido, ou deliberadamente, ou por falta de informação adequada, ou por falta de empenho em investigar de fato o fluxo de dinheiro "não contabilizado".
2 - Já o ministro da Justiça, bem como o corregedor-geral da União, Waldir Pires, juraram por todos os deuses que nunca se investigou e se buscou cercear tanto a corrupção como no governo Lula.
Se Serraglio estiver certo, que raios de investigação é essa que não consegue detectar de onde saía o dinheiro para abastecer o PTduto meses depois das primeiras denúncias?
Não seria escandalosamente óbvio que os bancos oficiais deveriam ser o principal foco de qualquer operação de investigação que tivesse um dedo de credibilidade?
Ou será que duas figuras com tanta quilometragem na vida pública acreditam na fantasia de que Marcos Valério era o hiper-super-mecenas da revolução petista, ajudado por bancos misericordiosos?
Uma das piores coisas que pode acontecer a um presidente e a um governo é a perda de fé em sua palavra. As veias abertas do BB, se de fato irrigaram o PTduto, produzirão esse devastador efeito.

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