Cai o Ás de ouro DORA KRAMER
CPI começa a revelar ilícitos bem mais graves que o pagamento de mensalão Pronto, a CPI dos Correios chegou no ponto que petistas do calibre de um Tarso Genro exigiam: a origem do dinheiro do valerioduto. Corroborando a convicção geral - inclusive da cúpula do PT - sobre a falsidade da versão dos empréstimos feitos por Marcos Valério de Souza junto a bancos privados, a investigação revela as primeiras provas das operações triangulares por meio das quais empresas públicas ou de capital misto abasteciam os cofres do partido. Por enquanto, as descobertas dizem respeito a contratos de publicidade com a Visanet, parcialmente controlada pelo Banco do Brasil, pagos antecipadamente a uma das agências de Marcos Valério. Uma parte das verbas era reservada para aplicações financeiras em bancos - no caso, o BMG -, que depois repassavam as quantias a Valério sob a forma de empréstimos. Pela coincidência de valores e datas, a CPI não tem dúvida de que o empréstimo era apenas uma maneira de legalizar o dinheiro que, por lei, deveria ser destinado ao pagamento da divulgação das propagandas contratadas, mas, na realidade, era desviado para os cofres do PT. Esse dado novo não serve para alterar o cenário das convicções anteriormente firmadas a respeito da ilicitude das operações entre Marcos Valério e a cúpula do PT, mas derruba não apenas a versão dos empréstimos como também desmoraliza de vez a atribuição de todos os malfeitos à prática recorrente do caixa 2 de campanhas eleitorais. Ficam sobretudo expostas as razões do aparelhamento do Estado: elas vão muito além da motivação ideológica da garantia de execução de um projeto de governo e visam a assegurar, pela via do tráfico de influência, a sustentação econômica de um partido. Seja para financiar o projeto de poder, seja para beneficiar aliados nos terrenos político, empresarial e/ou pessoal. Já não se poderá alegar, daqui em diante, que os trabalhos das comissões de inquérito foram infrutíferos, pautados pela busca do estrelato por parte deste ou daquele parlamentar e muito menos que as CPIs se perderam nos desvios de foco. Se atalhos trilharam, foi no sentido de amenizar o ambiente, por exemplo, ao não enveredarem pelo caminho do pedido de cassação do registro do PT por recebimento indevido de recursos. É proibida, e passível da punição máxima, a transferência de dinheiro público, a qualquer título, para entidades de direito privado como são os partidos. Outros relatos semelhantes ao de ontem, e até mais detalhados, virão de agora em diante fornecendo um mapa, senão completíssimo, pelo menos bastante esclarecedor a respeito das relações tenebrosas entre governos, partidos, mercado financeiro e mundo dos negócios privados. Tais relações não são uma invenção do PT, mas foram pelo partido que se propunha a corrigi-las muito bem absorvidas. Mas, para sorte de todos que não aqueles que delas sempre se valeram, muito mal executadas. De dentro A explicação à CPI dos Correios sobre a operação da Visanet, incluindo a convicção sobre a ilegalidade da operação, foi dada por gente da diretoria do Banco do Brasil preocupada em separar a instituição dos negócios autorizados pelo diretor de Marketing demitido, Henrique Pizzolato. Jogada ensaiada O repúdio do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, à informação de dirigentes tucanos de que a disputa pela vaga de candidato a presidente da República no PSDB ficará entre o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra, é, digamos assim, uma contestação combinada. Aécio diz que não está fora do páreo, mas, a não ser por viravoltas do imponderável, está sim. Mas reage contra o "domínio de São Paulo" como porta-voz de um sentimento geral no partido - fora da seção paulista, óbvio - de que é preciso ampliar para além das fronteiras bandeirantes os espaços de poder do tucanato. O critério serve para atividades partidárias, à influência pretendida por tucanos de outras paragens na eleição presidencial, mas serve sobretudo à hipótese de o PSDB ganhar. É como diz um integrante da cúpula: "Diz respeito à possibilidade de Tasso Jereissati não indicar cearenses apenas para o Banco do Nordeste, mas também para funções de amplitude nacional." A reclamação de Aécio presta um serviço à unidade interna, mas não altera o processo de escolha do candidato. Adaptação A disputa entre Alckmin e Serra vem provocando acentuadas alterações de comportamento em ambos. O governador substitui o figurino anódino por um perfil mais aguerrido, e o prefeito troca a sisudez pela maciez no trato. Sábado, num almoço de tucanos cariocas, era todo mel. Ao molde A recepção espinhosa a George W. Bush é descortês, mas reflete o estilo do visitante. Nada parecido com a visita de Bill Clinton anos atrás, um show de relações públicas com direito a momento (raríssimo) de bom humor de Jamelão - "feliz como pinto no lixo" - em pleno morro de Mangueira.
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Entrevista:O Estado inteligente
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sexta-feira, novembro 04, 2005
DORA KRAMER Cai o Ás de ouro
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