Entrevista:O Estado inteligente

sábado, novembro 05, 2005

FERNANDO RODRIGUES Muito calor e pouca fogueira

FSP
 BRASÍLIA - Agora que a CPI dos Correios conseguiu estabelecer algum nexo entre o dinheiro do valerioduto e verbas do Banco do Brasil, a sensação em Brasília é de temperatura máxima. O clima é de "agora vai". Infelizmente, a realidade talvez ainda não seja essa.
Calor por calor, o depoimento de Duda Mendonça em 11 de agosto provocou muito mais. O marqueteiro malufo-petista confessou um crime: recebeu mais de R$ 10 milhões, por fora, no exterior, para fazer campanhas políticas -inclusive a de Lula.
Prova maior de que o presidente da República foi conivente ou inepto não faltava naquele 11 de agosto. Em 2002, Lula viajou de avião, teve um programa de TV luxuoso, participou de eventos caríssimos. Não fazia idéia de onde vinha o dinheiro?
O fato é que Duda Mendonça passou. A oposição perdeu o "momentum" para colocar o presidente da República na roda. Hoje, quase três meses depois, a CPI dos Correios está mendigando o acesso aos documentos do marqueteiro.
Essa história de triangulação de dinheiro entre Banco do Brasil, agência de publicidade e Marcos Valério é ótima para colocar uma meia dúzia encrencados com a Justiça. E só.
Para Lula, o estrago extra é mínimo. A imagem presidencial já se deteriorou no início do escândalo. Hoje, dizem as pesquisas, uma parcela razoável dos eleitores parece tolerar a suposta ignorância do petista a respeito das traficâncias do PT.
Efeito eleitoral ruim é fotografia de dólar na cueca ou a imagem de algum cheque na conta. Algo que seja compreensível para a maioria do eleitorado. Em 92, as cascatas da Casa da Dinda marcaram a ferro a reputação de Fernando Collor.
A oposição não conseguiu ainda uma cascata para Lula. As CPIs produzem muito calor e pouca fogueira. E nunca é demais lembrar: só Roberto Jefferson foi cassado até agora.

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