Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, novembro 04, 2005

CLÓVIS ROSSI Lula, Bush, Chávez

FSP
MAR DEL PLATA - A única serventia aparente da 4ª Cúpula das Américas, que começa hoje, é mostrar -até fisicamente- a total inviabilidade do ensaio "chavista" que se atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Explico: Mardel, como os argentinos chamam carinhosamente este balneário, está dividida em duas. Dentro do perímetro de segurança, que isola basicamente as praias do centro e os hotéis quatro e cinco estrelas, ficam os governantes, protegidos pelo já habitual e sempre portentoso esquema de segurança.
Do outro lado das grades de proteção, a coleção de movimentos que os que têm medo de idéias chamam depreciativamente de "globalifóbicos", como se pretendessem resistir ao inevitável, a tal de globalização.
São na verdade "globalicríticos", pois querem outro tipo de globalização. Têm toneladas de razão, de que dão prova periodicamente relatórios internacionais como o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.
Prometem para hoje, abertura da Cúpula, o primeiro grande protesto desde o 11 de setembro de 2001, quando foram colocados na defensiva sob a suspeita de que são terroristas disfarçados. Alguns até são, mas a grande maioria não é.
O venezuelano Hugo Chávez mantém um pé de cada lado da cerca. Vai hoje ao protesto. Pode ir. Sua retórica, em geral incendiária, está onde estão as ações de seu governo. Para o bem ou para o mal.
Lula não. Pode falar o quanto quiser em conspiração das elites ou em enfrentá-las -tal como Chávez o faz na Venezuela. Não muda o fato, até físico, repito, de que está instalado no lado da cerca em que ficam também George W. Bush e tudo o que simbolizam os Estados Unidos, desde sempre, e seu atual presidente, especificamente, desde pelo menos o 11 de Setembro. Para o bem ou para o mal.
É mera constatação, não é um juízo de valor. Não dá para gritar "viva Bush" de dia e "viva Chávez" de noite ou vice-versa.

@ - crossi@uol.com.br

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