FSP
Em reportagem publicada ontem, o jornal "O Globo" mostra como a economia brasileira tem crescido, sistematicamente, a taxas inferiores à do crescimento médio do mundo. Entre 2003 e 2006, tomando como base os números recém-publicados pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), a economia do mundo deve crescer cerca de 4,4%. Esse deve ser um dos períodos de maior crescimento nas últimas décadas. Já o Brasil deve ter uma expansão de seu PIB da ordem de 3,1%, quase 30% menor do que a média calculada pelo FMI para o conjunto de economias acompanhado por esse órgão internacional. Esse resultado comparativo só deve ser melhor do que a performance verificada nos governos João Goulart e Collor.
Quando olhamos para países em desenvolvimento, esse atraso fica ainda maior. Em 2006, a Argentina, ainda segundo o FMI, deve crescer 8%, a Índia, 8%, a China, 9%, e os países mais avançados da Ásia, cerca de 5%. No Brasil, a expansão do PIB deve ficar próxima a 3,5%. Claramente ficamos para trás nesse período de extraordinário dinamismo da economia internacional. Isso apesar do entusiasmo dos mercados financeiros com nosso país. Já começamos a ver o fim desse ciclo de crescimento a partir de 2006 e, talvez, uma desaceleração importante no crescimento mundial. Nos EUA, a maior economia do planeta, alguns analistas respeitados já falam em recessão em 2007.
Com a estabilização da inflação conseguida neste ano e a melhora em nossa situação externa provocada pelo crescimento das exportações, chegou a hora de refletirmos com maturidade sobre o porquê desse crescimento medíocre de nossa economia. A reportagem de "O Globo" ouviu uma série de economistas sobre a questão. A opinião, quase unânime, é que esse comportamento está relacionado à questão de gestão caótica de nossa política econômica na grande parte do período em análise. Inflação fora do controle, desequilíbrio fiscal estrutural e crise em nossa balança de pagamentos, todos eles marcas indeléveis desses anos de chumbo, realmente não combinam com crescimento econômico vigoroso.
Concordo com essa leitura sobre nossa economia nos últimos 50 anos, mas entendo que a estabilidade macroeconômica atingida recentemente é apenas a condição necessária para que a economia brasileira volte a crescer de maneira sustentada e acima da média mundial. A condição suficiente só será atingida em curto prazo se, além da responsabilidade na gestão econômica, houver uma correção estrutural de nossa realidade microeconômica. Meu leitor da Folha conhece minha opinião já há algum tempo. Corremos hoje o risco real de mais uma vez deixarmos esse debate de lado e nos envolvermos pelo canto doce e suave daqueles que acham que basta continuarmos com a política atual para chegarmos ao Paraíso.
Esse perigo é claro na reportagem do "Globo", que me levou novamente a essas reflexões. Aparece ele também em recente artigo para o jornal "O Estado de S.Paulo", escrito pelo ex-presidente do Banco Central e meu amigo Armínio Fraga. Nele, Armínio procura mostrar que os elevados juros a que nos habituamos no Brasil são basicamente uma conseqüência do mau comportamento do passado. Repete ele os mesmos argumentos que estão presentes na reportagem do "Globo", que, sem dúvida, são parte do problema. No entanto é necessário um aprofundamento desse debate, de modo a evitar que se continue minimizando a importância da forma de operação da política monetária por parte do Banco Central.
Armínio é um dos economistas que mais conhecem os mecanismos de funcionamento da política monetária e da funcionalidade dos juros em uma economia como a brasileira. Além disso, comandou o Banco Central durante vários anos e em águas turbulentas. Seria importante que ele mencionasse também o aleijão que temos hoje na formação da taxa de juros a termo no Brasil, problema causado principalmente pela utilização da taxa Selic como instrumento isolado de condução da política monetária. Há uma acomodação, inclusive cultural, a essa situação. Se não houver uma estratégia coerente, que realmente estimule de forma mais concreta e rápida o alongamento de prazos e a participação de títulos prefixados na dívida pública, levará muito tempo para atingirmos juros nominais de um dígito no Brasil.
Entrevista:O Estado inteligente
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