Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, novembro 08, 2005

Arnaldo Jabor - Novos tipos florescem na lama nacional




O Globo
8/11/2005

A crise que o PT provocou no pais é um grave assalto à nossa saúde mental — não quer acabar com a democracia apenas, quer implantar aqui o "double think" do "1984", em que "amor" quer dizer "ódio", "guerra" quer dizer "paz", "verdade" quer dizer "mentira".

A crise é uma gripe de aves de rapina, uma epidemia psicológica que nos muda a cada dia, que nos transforma em tipos originais, mutantes como sobreviventes de radiação nuclear, e modifica tradicionais instituições. A paisagem nacional se transformou num filme de terror, num "apavorante mundo novo" em que ficamos irreais, inatuais. Acordamos de um sonho para viver um pesadelo. As tentativas de reflexão crítica, de apelos a razão se esboroam contra o muro de mentiras e negações. Por isso, me contento em fazer a lista das mutações de homens e coisas que fazem nossa História andar para trás. Vejamos:

Revolucionários corruptos — Militantes que são um cruzamento de Lenin com ladrão de galinha.

Ex-corrupto revolucionário — Bob Jefferson, o Ali Babá que denunciou os 40 ladrões e mostrou-nos pela primeira vez os intestinos do país.

Torresmo com cabelo — Delicada expressão trazida por Henrique Pizzolato, que reaparece agora como o próprio torresmo cabeludo que o PT vai ter de comer.

Malandro-agulha — Tradicional apelido carioca daqueles que tomam no buraco, mas não perdem a linha. Eleitores que continuam acreditando.

Falsos otários — Corruptos que pegaram mensalão sem saber o que havia no envelope. Nem abriram, coitados.

Popozudas do Congresso — Karinas e Camillas... até agora as únicas verdades nuas comprovadas nas CPIs.

Assassinos do povo — Os homens que mataram o Celso Daniel, no louvável intuito de esconder roubos "revolucionários" e assim proteger o "bem dos pobres" (e do PT).

Prefeito suicida — Segundo a defesa do caso, a angústia existencial pode ter causado o suicídio de Celso Daniel.

Assassino aposentado — Juiz do Ceará que mata ao vivo e a cores o caixeiro pobre e ganha aposentadoria de R$ 15 mil.

Guerrilheiro aposentado — Genoino, que agora vai ter de trabalhar, pois só ganha oito mil reais de aposentadoria.

Severino aposentado — O homem que vivia de quentinhas e de gorjetas do botequim do Congresso e que agora tem também R$ 8 mil.

Banca do Brasil — O novo nome de nosso banco estatal que paga à DNA sem contrato e antes do serviço.

Bancos do amor — Bancos que emprestam 20 milhões de dólares sem aval, sem motivo, e que não cobram a dívida.

Bancos de esquerda — Amam o socialismo e emprestam dinheiro para financiar a futura revolução de Dirceu.

Câncer de esquerda e soja de direita — Produtos derivados do aparelhamento do PT no Estado, no Instituto do Câncer e no Meio Ambiente.

Torturados numa boa — Gente que levou umas porradas na ditadura (ou não levou nada) e que agora ganha pensão da União.

Juízes do amor — Magistrados que se emocionam com a tristeza dos condenados de elite e que choram ao vê-los em cana, junto com o povão sujo que morre de tuberculose na prisão.

Cínicos sinceros — Choram em depoimentos

Cínicos felizes — Riem em depoimentos.

Homem da cueca — Nova forma de transporte de valores. Também conhecida como CC5 do cazzo . Ou carajo , como diz o Hugo Chávez, líder dos intelectuais de esquerda que não piam mais, escondidinhos na Academia.

Fazendeiros do ar — As fazendas imaginárias dadas em garantia pelo Romero Jucá. Quem lembra ainda dele? Semelhantes à sede imaginária da Garanhuns Empreendimentos. Nome talvez dado em homenagem à terra natal de Lula...

Os homens do Não — Só sabem negar. Nunca ninguém fez nada. Tudo que eles "não dizem" é a verdade. Para descobrir os fios da meada, é só virar seus depoimentos ao avesso.

Filhotes de Gushiken — Publicitários do barulho que são de inteira confiança do governo. Recebem antes e nem precisam fazer as campanhas.

Rum Fidel Carta Oro — Meia dúzia de garrafas do melhor rum que Cuba mandou de avião para o PT. Cada garrafa custa US$ 500 mil.

Dublê de corpo — O clone do Roberto Marques, assessor do Dirceu que pegou o dinheiro do Rural. Tem o mesmo nome, é igual, mas não é ele. E não se fala mais nisso.

Testemunhas mortas por aftosa — As sete testemunhas do seqüestro de Celso Daniel. Pegaram febre aftosa na churrascaria onde Sombra jantou com Celso.

Stalinistas chiques — Militantes intelectuais como Tarso Genro, que fala em "bloco histórico", em Gramsci e acaba topando todas as ordens do Berzoini, o leão de chácara do Dirceu.

Bode expiatório feliz — Delúbio, o gênio que fez tudo sozinho, discreto, sem que seus chefes soubessem de nada. Está realizado como mártir do stalinismo. Morre pelos chefes.

Denuncistas irresponsáveis — Segundo Lula, todas as pessoas que contam verdades sobre os crimes políticos cometidos. Exemplos: os irmãos Daniel, Raquel de Goiás, Osmar Serraglio, Gustavo Fruet..

Maluf milagroso — Curado por Nossa Senhora do Líbano de crise gástrica, indo comer pastel com chope em Campos do Jordão...

Filhinho das Arábias — Flávio Maluf, que parece uma cruza de Woody Allen com quibe.

Políticos teflon — Nada gruda neles. Exemplo: Garotinho e seu fiel Eduardo Cunha. Em breve, será absolvido pelo TER.

Fundos sem fundos — Fundos de pensão controlados pelo PT que gostam de investir em ações em baixa e papéis micados, para denunciar indiretamente o capitalismo selvagem...

Homens-pizza — Apagam qualquer conflito, em nome da governabilidade. Homens-mozarela, homens-calabresa, homens-margherita e homens-catupiry.

Presidente-lula — Muda de cor como as lulas, engorda, emagrece e vive escondido nos buracos fingindo que não conhece nem tubarões nem predadores.

Cretinos fundamentais — Nós.

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