| Jornal do Brasil |
| 7/5/2008 |
Com a mais justa euforia, o presidente Lula espichou a comemoração da elevação do Brasil à categoria de investiment grade pela agência Standard & Poor’s com os exageros do seu temperamento. A turma dos cupinchas queixa-se de que não fala em outra coisa. A pauta desta semana, que começou com a viagem a Teresina para a inauguração de hospital de atendimento de urgência e de centro de reabilitação de deficientes foi devidamente comemorada com os improvisos de cada dia e a autolouvação do reconhecimento internacional da nossa maturidade econômica. Ora, se a depressão é uma doença da alma que aniquila qualquer administrador, o otimismo em excesso, que ultrapassa os limites do razoável costuma descambar para o ridículo e a não ser levado a sério. Francamente, chegamos à encruzilhada que aconselha pisar no freio e reduzir a marcha sem mudar de rumo. Não é só a zombaria que ronda o presunçoso, mas o risco de se perder no meio do caminho. E, na disparada, não reparar na paisagem às margens da estrada e nos buracos da rodovia. O sucesso quando passa da conta, perde o controle da língua com os mais desastrosos resultados. Lula continua a cumprir a agenda de viagens no Norte e no Nordeste, onde registra os recordes de popularidade. E não se tem notícia da data da sua viagem ao Sul castigado por ciclone, temporais, enchentes do quadro de calamidade, que em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul afeta 280 mil pessoas, milhares perderam tudo e aguardam o socorro federal. Cerca de 20 mil estão na escuridão no Rio Grande do Sul, com 378 municípios com a vida paralisada pelas enchentes que inundam as áreas mais afetadas. Não estamos atravessando uma fase de despreocupação que dispense os cuidados do presidente e do seu mastodôntico ministério, com a urgência de socorro às tragédias que castigam áreas consideráveis do país. É na hora da tragédia que o governo, em todos os níveis, deve ser mobilizado não apenas para as providências de urgência, mas para levar o conforto da sua presença, do seu interesse, da sua solidariedade. Em vez das inaugurações que podem esperar, dos discursos laudatórios, a palavra de consolo, o compromisso de assistir os desabrigados, que tudo perderam e não sabem para onde ir e nem a quem pedir ajuda. A epidemia da dengue continua a fazer vítimas e a bater os recordes de mortes e doentes. Com a porta do Sistema Único de Saúde (SUS) arrombada por décadas de descaso e desvio de verba, o corre-corre da emergência não dá conta do recado e continua a expor as filas de doentes que emendam o dia com a noite à espera do milagre da vaga nos hospitais e no posto de saúde superlotado, com velhos, adultos e crianças amontoados pelos cantos. Quadrilhas enfrentam a política com armamento sofisticado, que entra de contrabando pelas malhas das nossas imensas fronteiras. O MST e seus filhotes invadem fazendas, depredam agências do Incra diante da passividade do governo, tolhido pela bagunça da reforma agrária sem controle. A insegurança ganhou fôlego de calamidade nacional, entregue à fragilidade da polícia civil e militar dos municípios. Em amplas manchas das capitais e grandes cidades, as populações sobrevivem em sobressalto permanente, com a vida pendurada no fio da sorte. Os consagradores índices de popularidade do presidente Lula justificam a sua euforia espalhafatosa, mas não disfarçam as muitas falhas de um governo desigual e de comando frouxo e disperso. A candidatura da ministra Dilma Rousseff tem um padrinho poderoso. Mas é imprudente não prestar atenção no povo. Eleição não se ganha na véspera. |
Entrevista:O Estado inteligente
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