| Panorama Econômico |
| O Globo |
| 20/4/2006 |
Entender o reflexo que a economia pode ter no quadro eleitoral não é tarefa trivial este ano. Há áreas do país em recessão e áreas em crescimento forte; os preços dos alimentos estão baixos, melhorando a percepção dos mais pobres, mas o outro lado da moeda é a crise dos produtores. Um retrato da assimetria: a produção industrial da Região Norte está crescendo 9,5% nos últimos doze meses; no Sul, a produção industrial está negativa em 1,9%. A conta foi feita pela MB Associados. Confira no gráfico abaixo: o Brasil é uma economia com temperaturas inteiramente diferentes dependendo da região. Esta assimetria, explica o economista José Roberto Mendonça de Barros, cria humores também diferentes. Mas a divisão não é apenas regional. O Nordeste está com um crescimento pífio de produção industrial, 1,3%, mas a distribuição de recursos públicos alimenta o favoritismo eleitoral do presidente Lula. — Há uma dissonância cognitiva no Brasil. O país cresce, mas sem investimento; cresce pelo aumento do gasto público. Estou horrorizado com a tendência de expansão das despesas do governo — diz Mendonça de Barros. Ele se refere ao otimismo de algumas análises do mercado baseadas apenas no desempenho de alguns indicadores financeiros que, de fato, melhoraram, mas que ignoram os riscos fiscais. — A explosão de gastos públicos provocará crescimento, porque é demanda agregada e isso garante um aumento do PIB talvez até maior do que os 3,5%. Mas não há investimento. Houve desoneração fiscal do investidor estrangeiro, mas apenas para o investimento financeiro. O produtivo continua pagando os mesmos impostos. Parte deste aumento dos gastos públicos melhora a renda dos mais pobres, como o salário mínimo, o aumento da faixa elegível para o Bolsa Família. Mas o que melhora de forma permanente a capacidade de consumo dos mais pobres não é decorrente do atual governo. Começou bem antes, no plano econômico que recebeu do PT e de Lula implacável oposição. Agora beneficiará Lula. Veja o outro gráfico abaixo: o que mostra a relação entre cesta básica e salário mínimo. Em 94, antes do Plano Real, o salário comprava menos que uma cesta básica; agora compra o equivalente a duas cestas básicas. Acentuou-se atualmente, mas é uma tendência antiga trazida por dois fatores: a estabilização da moeda e a modernização da agricultura, que reduziu o preço relativo dos alimentos. Comparado com 95, o frango caiu 57%; o pão francês, 25%. Mas não só alimentos. Os cálculos da MB mostram que diminuíram também preços industriais. Deflacionado pelo salário mínimo, o preço de televisão caiu, em uma década, 80%. Resultado da estabilização, da abertura, da competição e da recuperação do salário mínimo. Processos que se iniciaram antes do governo Lula e contra a opinião de Lula e que agora podem beneficiá-lo por ironia política da economia. A assimetria econômica do país confunde o mapa político, distribuindo aleatoriamente otimismo e pessimismo. O crescimento está concentrado em alguns setores, explica Mendonça de Barros: petróleo, açúcar e álcool, minerais e metais voltados para a exportação. Só no primeiro trimestre deste ano, a exportação de petróleo aumentou em US$ 1,5 bilhão. Mal está uma parte da agricultura e um pedaço da indústria, como sapatos, tecidos, móveis, máquinas e equipamentos. A construção civil se aproveita do pacote que aumentou o dinheiro disponível. O Nordeste tem um boom de investimento em turismo, mas pouca produção industrial. A crise da indústria têxtil afeta principalmente o Ceará. O Sul foi atingido de frente pela queda da lucratividade da agricultura e está em recessão. O Norte se beneficia do aumento das vendas de bens duráveis, como televisão que, como são quase totalmente importadas, beneficiam-se do dólar baixo. Neste país assimétrico, com temperaturas diferentes, humores contraditórios é que vai ocorrer uma das mais tensas eleições de que se tem notícia. |
Entrevista:O Estado inteligente
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