FOLHA
A recusa quase desesperada dos parlamentares petistas a admitir a referência a mensalão, no relatório da CPI dos Correios, teve uma razão estratégica sob a aparência de despropósito emocional. Excluir a idéia de mensalão era fechar via de fácil acesso à instabilidade de Lula.
Se o temor de desestabilização de Lula não existiu antes, por todos esses meses em que serviu de acusação retórica dos petistas à oposição, foi agora introduzido com intensidade e por vários canais no núcleo do governo. Todas as decisões ali trazem as impressões digitais dessa preocupação.
Reconhecer a existência do mensalão como método para obter aprovações ou, o que seria o mesmo por outra forma, para ampliar o bloco governista na Câmara, leva à implicação do Executivo, como beneficiário dos resultados do suborno no Congresso. Ou seja, leva ao chefe do governo, assim passível de uma tentativa de impeachment.
Foram razões da mesma ordem que predominaram na recusa dos petistas à proposta, feita pelo relator Osmar Serraglio, de indiciamento de José Dirceu e Luiz Gu- shiken. Tal como ninguém esperava vê-los alijados do núcleo do governo e da cúpula petista, hoje não se prevê o grau de risco, para a Presidência, de investigações mais persistentes nas áreas daqueles dois braços de Lula na primeira metade do governo. Outra fonte de preocupação.
Quem menos se inquietou com a possibilidade de ser convocado pela CPI, a propósito da quebra de sigilo do caseiro Francenildo, foi o ministro Márcio Thomaz Bastos. A Presidência e os petistas da CPI é que se inquietaram.
Entende-se: a inquirição do ministro, autor de advertências a Lula sobre a conduta de Palocci, tenderia a realçar a questão do conhecimento presidencial dos fatos em torno da quebra de sigilo.
A questão é mais complexa do que a oposição pretende, porque o conhecimento preliminar em geral é problemático para decisões graves, mas o assunto é desgastante para Lula e daqueles que saem com facilidade do controle.
A estocada muito forte que Lula deu agora na oposição, acusando-a por estar ainda o país sem o Orçamento deste ano, é uma clara investida para conter um pouco a elevação de tom e ímpeto dos oposicionistas, pondo-os na defensiva pelo menos em um assunto (embora a falta de Orçamento se deva também à base governista). Mas está longe do objetivo pretendido, sendo o assunto de tão pouco interesse geral.
Na mesma linha de esforço, está prevista a imediata retomada do programa de sucessivos eventos-comícios de Lula, para contrabalançar episódios negativos com sua exibição em primeiras páginas e telejornais.
Contrabalançar, se Palocci e seus feitos permitirem, o que é pra lá de duvidoso.
O mesmo
O aspecto mais interessante das diárias pagas pelo Supremo Tribunal Federal a Nelson Jobim, quando de viagens já pagas pelos anfitriões, é que o então ministro Nelson Jobim foi pago pelo então presidente Nelson Jobim.
Mas seu comentário a respeito do pagamento também é valioso: "Eu não me preocupo com isso, tenho outras coisas para fazer".
É verdade. Caso se preocupasse, não faria, como tantos outros não fazem.
Entrevista:O Estado inteligente
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