Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, abril 20, 2006

Indignada, opinião pública reage à decisão do plenário




Ana Paula Scinocca
O Estado de S. Paulo
20/4/2006

Dirigentes de entidades e parlamentares criticam o que consideram desinformação e incoerência da Câmara

A absolvição de José Mentor (PT-SP) foi seguida por manifestações de indignação do presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), de representantes da sociedade civil e dos parlamentares que abandonaram as suas vagas no colegiado após a absolvição do também petista João Paulo Cunha (SP), ex-presidente da Câmara. Enquanto Mentor comemorava no plenário, a opinião pública já reagia à nona pizza no escândalo do mensalão.

"Mais uma vez os deputados mostram falta de informação e que não acompanharam em nada o trabalho do Conselho de Ética. É lamentável que os deputados pensem que caixa 2 não é crime", reclamou Izar. "A absolvição de Mentor foi mais um sinal de desprezo dos deputados para com o nosso trabalho."

Um dos deputados que deixaram o Conselho de Ética depois da absolvição de João Paulo e da performance de Ângela Guadagnim (PT-SP) - que festejou a absolvição de João Magno (PT-MG) com a dança da pizza -, Chico Alencar (PSOL-RJ) criticou a falta de punição aos acusados. "O plenário manteve sua triste coerência de não punir ninguém", disse. "A Câmara consolidou sua posição de jamais cortar na própria carne."

Secretário-geral do PT, Raul Pont, insistiu ontem que a Câmara não tem "moral, ética ou legitimidade" para julgar ninguém. "Depois do conjunto de votações, não vejo que coerência ou justiça pode ser feita em qualquer votação. Tanto a Câmara quanto as CPIs perdem a legitimidade para punir."

Parte dos deputados já sugere que a acusação de falta de decoro passe a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em vez do plenário, de forma a evitar que critérios políticos livrem deputados sob suspeição.

Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), secção São Paulo, Luiz Flávio Borges D'Urso afirmou que a apreciação da Câmara se restringe ao "aspecto ético no âmbito político". E destacou que Mentor, assim como outros parlamentares que escaparam da cassação, não estão impedidos de serem submetidos a apuração no âmbito do Judiciário.

O coordenador do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), Percival Maricato, destacou que a sociedade está "bastante desanimada com os recorrentes processos de corrupção no País e com o desgate da Câmara". Ele defendeu a criação do Código de Defesa do Eleitor, com um conselho da sociedade civil capaz de julgar parlamentares que tenham infringido a lei ou faltado com a ética.

A absolvição de Mentor seguiu o roteiro do deputado cassado Roberto Jefferson (RJ), que denunciou o mensalão. Ele previu que, do PT, apenas José Dirceu perderia o mandato.

 
 

Arquivo do blog