A estranha demissão de "Mexerica"
José Luiz Cerqueira Cesar, vice-presidente de Tecnologia do Banco do Brasil desde janeiro de 2003, conhecido entre os amigos como "Mexerica da Libelu", deixou o cargo ontem.
Em nota oficial, o Banco do Brasil informou que ele saiu para
enfrentar "novos desafios profissionais".
É curioso que na tarde da última quarta-feira, em reunião com deputados e senadores da Comissão Mista de Atividades de Inteligência, o general Jorge Armando Felix, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, tenha ouvido falar de "Mexerica".
O general foi à Comissão contar que fora procurado pelo então ministro Antonio Palocci atrás de ajuda no caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Queixou-se Palocci de que ele e o governo estavam sob pressão.
Ouviu como resposta que o general nada podia fazer.
De mais de um parlamentar que participou da reunião da Comissão, o general teve a notícia da desconfiança deles de que suas contas no Banco do Brasil estão sendo vasculhadas de maneira ilegal. E que "Mexerica" estaria por trás da operação.
Foram citados alguns nomes de senadores alvos da suposta bisbilhotice: Heráclito Fortes (PFL-PI), José Agripino (PFL-RN), José Jorge (PFL-PE), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Heloísa Helena (PsoL-AL) e Ney Suassuna (PMDB-PB).
Esse último, uma vez se desentendeu com "Mexerica" por causa da indicação de um nome para trabalhar no Banco do Brasil.
No último dia 23, o senador Heráclito Fortes mencionara o nome de "Mexerica" em conversa com colegas e jornalistas no Congresso. Disse que suspeitava da participação dele na quebra do sigilo do caseiro.
O general Felix respondeu aos parlamentares que a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), sob seu comando, não espiona conta bancária de ninguém. E que não faz serviço sujo.
Um deles replicou dizendo que a ABIN pode não fazer, mas que ex-agentes dela e militares da reserva fazem, sim, por encomenda de militantes do PT empregados em órgãos estatais. E que esse poderia vir a ser o próximo escândalo a abalar o governo.
O general foi embora da reunião aborrecido.
"Mexerica" perdeu o emprego no dia seguinte.
Ao blog, há pouco, o senador José Agripino Maia disse que jamais soube que sua conta no Banco do Brasil havia sido investigada.
- Não tenho nenhuma razão para afirmar que estou sendo monitorado. Mas a gente sabe que não é de hoje que o petismo de Estado olha as nossas contas.
A senadora Heloísa Helena foi mais direta:
- Fui informada por dois colegas que minha conta no Banco do Brasil estava sendo monitorada. Respondi que abri meu sigilo bancário, fiscal e telefônico desde o ano passado. Assim sendo, eles podem mexer de forma prazerosa nas minhas contas.
Antes de assumir a vice-presidência de Tecnologia do Banco do Brasil, "Mexerica" era ligado ao Sindicato dos Bancários de São Paulo. Deve o cargo em Brasília aos ex-ministros Luiz Gushiken e Ricardo Berzoini, atual presidente do PT.
"Mexerica" chegou a ser citado na CPI dos Correios no caso de irregularidades descobertas em licitações da Cobra, empresa de tecnologia do Banco do Brasil. Uma auditoria aberta pelo banco ainda não foi concluída.
A "Libelu" de "Mexerica" vem de "Liberdade e Luta", corrente política de inspiração trotskista responsável pela reorganização do movimento estudantil em São Paulo no fim dos anos 70 do século passado. O país vivia então sob uma ditadura.
León Trotsky foi um dos líderes da revolução que implantou o comunismo na Rússia. Acabou expulso de lá, exilado e assassinado no México a golpes de picareta por ordem do seu arqui-rival, o ditador Josef Stálin.
Além de "Mexerica", outras cabeças coroadas do PT foram trotskistas no passado - entre elas, Palocci, Gushiken e Clara Ant, assessora de Lula.
Enviada por: Ricardo Noblat