"O ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, colocou-se à disposição do Congresso para depor sobre os problemas que envolvem a demissão de Antonio Palocci da Fazenda.
Marcio Thomaz Bastos está na crista da onda desde o início da crise do mensalão, em junho do ano passado. Não por suas grandes realizações como ministro da Justiça. Não pelo combate ao crime organizado, não pela promessa de construção de presídios federais, não pelo equacionamento do gravíssimo problema da segurança pública.
Não. Marcio Thomaz Bastos tem se mostrado utilíssimo ao governo Lula na sua especialidade, ou seja, a de um grande e famoso advogado criminalista.
Foi de Marcio Thomaz Bastos o conselho sensato para que o presidente Lula não expulsasse do país o correspondente do New York Times, que assinou matéria afirmando que o presidente Lula estava exagerando na bebida.
Foi de Marcio Thomaz Bastos a idéia de qualificar os crimes do PT como caixa dois, crime eleitoral já prescrito.
Mas, como tem uma biografia a zelar, Marcio Thomaz Bastos dá uma no cravo e outra na ferradura. Afirmou que caixa dois é coisa de bandido.
No episódio que culminou na demissão de Antonio Palocci, Marcio Thomaz Bastos foi atuantíssimo.
Logo que teve certeza de que Palocci era o mandante da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, aconselhou o presidente Lula a se livrar do ministro da Fazenda.
Mas três perguntas continuam sem resposta: primeira, na noite em que se diz que Palocci quis saber sobre a possibilidade de a Polícia Federal abrir inquérito contra o caseiro Francenildo sob suspeita de lavagem de dinheiro, os dois assessores de Marcio Thomaz Bastos que estiveram na casa de Palocci alegam que o ministro da Justiça não foi encontrado.
Mas tem gente em Brasília que jura de pés juntos que Marcio Thomaz Bastos conversou várias vezes ao telefone com seus auxiliares. Não é à toa que o Ministério Público pediu a quebra do sigilo telefônico de todo mundo que estava lá naquela noite. E vem a pergunta: afinal, o ministro Marcio Thomaz Bastos falou ou não com seus assessores naquela noite fatídica?
Segunda pergunta: por que o caseiro Francenildo entrou na Polícia Federal como vítima e foi interrogado como investigado? Como todo mundo sabe, a PF é subordinada ao ministro da Justiça.
Terceira pergunta: como é que ficaram sabendo que o caseiro tinha uma conta na Caixa Econômica? Ao entrar na Polícia Federal, no programa de proteção a testemunhas, o caseiro entregou seu cartão de correntista da Caixa.
Por tudo isso, é muito bem-vinda a disposição do ministro Marcio Thomaz Bastos, de prestar esclarecimentos ao Congresso Nacional.
Nos próximos dez dias, estarei em Paris e Viena, a convite de universidades européias. Tiro rápidas férias da crise e dou uma folga aos ouvintes. Até a volta."
Enviada por: Ricardo Noblat