| Panorama Econômico |
| O Globo |
| 8/11/2005 |
O que ficou claro, ao final da Cúpula das Américas e da visita do presidente Bush, é que a Alca acabou. George W. Bush falou no tema, mais por dever de ofício, mas os Estados Unidos já embarcaram em outro projeto: negociar acordos bilaterais separados. A promessa do presidente Bush de se unir ao Brasil contra os subsídios agrícolas também não quer dizer nada: cada país, quando fala do assunto, está pensando em coisas diferentes. — Há o risco concreto de o Senado americano aprovar a prorrogação da lei até 2011, o que significa que os enormes subsídios à produção distribuídos a partir de 2002 podem ser mantidos por mais alguns anos — diz Lampreia. O Brasil certamente estava pensando que estava conseguindo o apoio do presidente americano no esforço para reduzir os subsídios americanos, e o presidente Bush provavelmente se referia aos subsídios europeus. Ambos disseram que vão se esforçar para o sucesso das negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC), em Hong Kong. Essa promessa de melhores esforços não é nova e corre o risco de ser inútil. — Acho que há uma chance muito pequena de que essa reunião de Hong Kong não tenha um bom resultado — diz o ex-ministro das Relações Exteriores. Submeter qualquer negociação na área agrícola ao andamento da Rodada de Doha já virou um lugar-comum diplomático. O problema é que a OMC tem andado muito mal. A Alca, se tivesse tido sucesso, poderia significar a ampliação do comércio regional em nível que poderia ajudar o desenvolvimento latino-americano; mas os protecionistas de todos os lados venceram. Aqui, o presidente Lula deu ouvidos a quem temia a Alca. Nos Estados Unidos também o assunto não teve a prioridade devida. O resultado foi um jogo de faz-de-conta. Se o Brasil dissesse que queria sim o avanço da Alca, certamente o governo americano encontraria uma manobra protelatória. Os EUA preferiram ir negociando acordos bilaterais ou regionais, como fez a Colômbia, o Chile, a América Central. Estão ficando de fora o Mercosul e a Venezuela. O embaixador Lampreia acha que, a cada acordo bilateral, o Brasil é excluído de alguma coisa, vai perdendo preferências no mercado americano e nos mercados dos países que firmam acordos. A própria América Latina tem perdido cada vez mais importância na política externa americana. — Na época da guerra fria, a região era tratada como importante, mas dentro daquela lógica de proteger o espaço americano; depois houve uma onda integracionista no governo Clinton. Após o 11 de Setembro, a região ficou fora da agenda da política externa americana, e uma visita como esta do presidente George Bush é feita apenas para damage control (esforço para reduzir o estrago) — diz Lampreia. A região, nessa cúpula, ficou muito parecida com o estereótipo latino-americano, na visão deles. Manifestação popular antiamericana é normal em qualquer país do mundo. A adesão aos protestos do partido do governante que está recebendo o presidente americano já é mais rara. Mas esquisito mesmo é chefe de Estado participando de manifestações populares contra reunião de chefes de Estado na qual ele próprio participava. O embaixador Lampreia acha que o Brasil até ganha com o comportamento de Hugo Chávez. — O presidente Lula tem um comportamento inteiramente diferente e moderado. Até as fotos mostram que há uma boa relação entre Bush e Lula. Chávez entrou numa escalada que pode levá-lo a dar um tiro no pé, suspendendo o fornecimento de petróleo aos Estados Unidos. Houve um momento em que o poder de Hugo Chávez não estava consolidado, agora ele virou o rei da Venezuela, um caudilho à Perón. O embaixador tem razão, Lula e Chávez são governantes com comportamentos bem distintos, porém a diplomacia brasileira tem feito um certo esforço de se misturar com Chávez, que hoje virou um tipo inteiramente exótico. Uma atitude que tem como resultado prejuízos para o Brasil. Ter uma atitude altiva e independente em relação aos Estados Unidos é o recomendável, mas arruaças estudantis deveriam ser exclusividade de estudantes. Em vez de se destacar pela maturidade e a moderação que sempre caracterizaram o Brasil, a diplomacia brasileira de vez em quando parece desconfortável nesse papel e fica tomando atitudes que só fortalecem a Venezuela. Goste-se ou não de Bush — e hoje até os americanos gostam cada vez menos — o fato é que a onda populista-retardatária representada pelo presidente venezuelano é contraproducente e perigosa. Chávez usou a democracia para golpear a democracia e usa a retórica para esconder seus fracassos econômicos. Uma péssima companhia para o governo de um país cujo povo já deixou clara sua escolha pela democracia. |
Entrevista:O Estado inteligente
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