Entrevista:O Estado inteligente

domingo, novembro 06, 2005

ELIANE CANTANHÊDE Refresco

FSP
 BRASÍLIA - Bush e Lula, que se encontram hoje em Brasília, são dois presidentes feridos. Bush vive sua pior crise, com a renúncia do assistente Lewis Libby Jr., sujeito a 30 anos de cadeia. Lula perdeu Dirceu e Gushiken e convive com denúncias a seu partido e a seu governo, cada uma mais cabeluda que a outra.
A última, ainda não confirmada, é gravíssima: a de recursos do Banco do Brasil, via Visanet, para o esquema Marcos Valério. Sabia-se para onde o dinheiro ia. Agora começa-se a supor de onde vinha: de estatais.
O PT usava a versão de empréstimos bancários. O governo, a do caixa dois, que é feio, "mas todo mundo faz". A descoberta de cerca de R$ 10 milhões do BB voando sobre as empresas de Marcos Valério pode jogar por terra as duas linhas de defesa.
A oposição bate na tecla de que a história é verdadeira, com o governo, o PT e Valério esforçando-se para desmenti-la. Enquanto isso... as investigações avançam sobre outras estatais, como a Petrobras.
Cautelosa ao evitar atingir diretamente o presidente no meio das apurações (como quando Duda Mendonça admitiu os milhões de dólares no exterior), a oposição ficou furiosa quando Lula partiu para cima na primeira sensação de que o pior da crise tinha passado. Agora, fala em impeachment. Não é para valer, é para assustar.
Nesse clima, a vinda de Bush a Brasília serve como um refresco, mesmo com manifestações de rua -aliás, convocadas com a ajuda do próprio PT. E a expectativa é que não passe disso mesmo: um refresco para as dores da política interna de cada um, além de um gesto diplomático significativo. Afinal, Bush já mandou ao Brasil as estrelas de sua equipe. E não é todo dia que o presidente da maior potência sai viajando por aí.
Bem, a visita acaba hoje mesmo. E amanhã tem mais: mais CPI, mais denúncia, mais pedido de cassação. A vida de Lula não está fácil, apesar do ânimo dele para 2006.1

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