Governo gasta energia para pôr fim à CPI, mas só aprofunda o próprio descrédito Define-se estelionato como ato de obter, para si ou outrem, vantagem patrimonial ilícita em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo em erro alguém mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. Por uma ironia cruel , o número do artigo do Código Penal relativo à tipificação acima é também a quantidade de assinaturas de parlamentares em torno das quais governo e oposição brigaram pela prorrogação, ou extinção, dos trabalhos da CPI dos Correios. Abstraindo-se o uso de instrumentos de Estado para induzir posições e deixando de lado o fato de o presidente da República ter exaltado sua posição de não-interferência para três dias depois interferir em prol da suspensão das investigações, trata-se de uma referência meramente ocasional. O importante nas idas e vindas em torno do requerimento de prorrogação da CPI é a relação de custo-benefício para o governo. Gastou-se uma energia imensa para reduzir as assinaturas e não se obteve o ganho correspondente. Ao contrário, foi um péssimo negócio sob todos os aspectos. Mesmo se o Palácio do Planalto tivesse conseguido reduzir as assinaturas das 171 necessárias, teria se exposto por nada. Quando o dia terminou com a vitória final da oposição, aí mesmo foi que o esforço se revelou não apenas inútil, mas sobretudo maléfico. O governo deu à oposição mais argumentos para desacreditar o presidente da República, reforçou as evidências sobre as relações não ortodoxas entre Legislativo e Executivo - origem do escândalo em curso -, pôs o PSDB na obrigação de não ceder à tentação dos acordos, deu margem ao surgimento de propostas para criação de uma nova CPI, desta vez no Senado, onde a oposição é maioria, e pode vir a engordar a gama de assuntos a serem tratados no âmbito da CPI dos Bingos, cujo apelido de "CPI do fim do mundo" torna o quadro auto-explicativo. Se os governistas resolverem insistir e, no final, conseguirem manter o prazo final para os trabalhos da CPI em dezembro próximo, é de todo provável que os oposicionistas se transfiram de armas e bagagens - mais armas que bagagens - para a comissão dos Bingos. Lá não se produzem os mesmos resultados de investigações obtidos na comissão dos Correios. Mas é de lá que saem os constrangimentos políticos mais eloqüentes. Lá também há prazo suficiente para manter os trabalhos em funcionamento ano eleitoral adentro. Além disso, havia a expectativa entre petistas que integram a comissão de que, com a prorrogação, o PSDB começasse a assumir papel de destaque nas denúncias em virtude das relações de Marcos Valério com o tucanato de Minas. Por esse raciocínio, os tucanos seriam os maiores prejudicados com o prosseguimento da CPI porque aos petistas já assola o sentimento de perda total, nada mais havendo a salvar em termos de capital ético porque coisa nenhuma causa espanto. Os acusadores é que teriam danos potenciais ainda a contabilizar. Ao não tentar explorar esse caminho e partir para o confronto direto, o governo de um lado mostra insegurança quanto à possibilidade de a oposição vir a se complicar com as investigações e, de outro, não parece assim tão seguro de que não possa ele mesmo se complicar ainda mais. Sem fantasia Vladimir Poleto em seu depoimento na CPI dos Bingos derrubou a tese de que o caso Cuba é fruto de fantasia. Pode não ter vindo do caixa de Fidel Castro, mas que houve trânsito suspeito de dinheiro nos moldes denunciados pela revista Veja está demonstrado. Entorno Causa espécie, por rasteiro, o nível dos auxiliares dos quais se cercava Antonio Palocci quando prefeito de Ribeirão Preto. Enquadram-se em vários graus de conduta: já apareceram os de segunda categoria, os de quinta, de oitava e Vladimir Poleto mostrou que é de última. "Negocistas do interior", define o deputado Fernando Gabeira, a quem todos parecem muito assemelhados aos republicanos de Alagoas que davam o tom da ambiência no governo Collor. "Esse pessoal põe uma boa gravata e acha que tudo se resolve." Na opinião de Gabeira, o depoimento de Poleto foi das coisas "mais espantosas" já vistas na República. A qualidade da equipe o remete à dúvida: "Afinal de contas quem é mesmo Antonio Palocci?" O beijo A comparação não vem de oposicionistas, está na cabeça de governistas: lembram que a demissão do então ministro das Comunicações de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Carlos Mendonça de Barros, ocorreu em seguida ao comparecimento dele ao Senado para explicar teor de conversas registradas por grampos telefônicos no BNDES relativas ao processo de privatização do setor de telecomunicações. Mendonça recebeu o beijo da morte no mesmo plenário onde Antonio Palocci prestará esclarecimentos sobre denúncias de corrupção na prefeitura de Ribeirão Preto e aportes de recursos ilegais na campanha presidencial de 2002.
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Entrevista:O Estado inteligente
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sábado, novembro 12, 2005
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