Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, abril 14, 2005

Antonio Fernandes:Sem paralelo




O artigo de Rui Nogueira, no site Primeira Leitura de ontem, merece ser lido, sobretudo pelo primeiro parágrafo, que é brilhante na sentença. "Sob qualquer ângulo que se olhe a decisão do ministro Humberto Costa (Saúde), há uma única constatação a fazer: esse senhor está rigorosamente à altura da capacidade do governo Lula em formular políticas sociais. Costa, José Graziano, Benedita da Silva, Patrus Ananias, Ricardo Berzoini, Matilde Ribeiro e que tais são um timaço social sem paralelo".

Esse, nas palavras de Lula – lembram? – é o ministério mais extraordinário que o Brasil já teve. Para fazer a política social mais importante da face da Terra (ele também disse isso, senão com essas exatas palavras com outras semelhantes).

Parece que Humberto Costa, hoje, já voltou atrás no caso das UTIs hospitalares. Por que? Ora, porque houve reação da sociedade. Para quem ainda não captou, esse é o sentido da resistência democrática. Não fosse ela estaríamos lançados em algum lugar bem mais distante no passado.

Alguém que tiver paciência e a necessária persistência (e resistência) poderia fazer um inventário de quantas medidas o governo tomou ou anunciou que ia tomar e foi obrigado a recuar. A lista seria enorme e cansativa. Mas seria reveladora tanto da índole autoritária quanto da incompetência técnica e política características de Lula e seus auxiliares.

Eles governam por tentativa e erro. Eles erram e, depois, quando alguém percebe o erro, tentam consertar, mas não humildemente e sim com soberba, aborrecidos por lhes terem feito reparos, como se erro algum tivesse sido cometido. Eles avançam e depois recuam. Eles anunciam e depois desanunciam. Ou esquecem. Ou fingem que esquecem. Ou anunciam a mesma coisa de novo, duas, três vezes até. Eles redigem uma norma - seja Projeto de Lei ou Medida Provisória, Decreto ou Portaria - e, depois, ao descobrir que o texto está "furado", saem recolhendo os documentos para redigir tudo de novo. Nessa dinâmica, vivem, por exemplo, suspendendo licitações.

Fazem isso por dois motivos basicamente. Em primeiro lugar, para ver se "cola" (na base do "se colar, colou"). Nesse caso, quando não há reação, vão em frente. Quando há, recuam (como nos exemplos da Ancinav, do Conselho Federal de Jornalismo e tantos outros). Em segundo lugar, por incompetência, despreparo mesmo. Como não entendem bem dos assuntos que se põem a tratar (e não entendem bem quase nenhum assunto de governo), esquecem-se de detalhes vitais, formulam medidas contraditórias entre si ou com normas já existentes e, aí, quando descobrem o "furo", desfazem tudo gerando retrabalho (que, aliás, é pago com dinheiro público).

Assim é o governo Lula. Sem paralelo.
e-agora

Um governo de segundas intenções (clipping)
Primeira Leitura n° 1425 (11/04/05)

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