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Quero voltar ao senador Agripino Maia (DEM-RN), tratado por alguns colunistas e cronistas como se fosse um torturador, o delegado Fleury do Rio Grande do Norte. Em sua resposta, a ministra Dilma afirmou que tinha 19 anos quando foi presa. Não. Tinha 23 quando foi detida, em 1970. E não deveria ter sido torturada nem que tivesse 43 ou 93, é claro. Ela também sugeriu que ambos estavam em lados opostos. Não é preciso ser um gênio para que se faça a associação óbvia: se ela estava sendo torturada, o senador deveria estar do lado dos torturadores.
Alto lá! Em março de 1964, Agripino tinha, precisamente, 19 anos e um mês. No AI-5, em 1968, 23 anos. Sua carreira política só começou em 1979, nomeado prefeito de Natal — de modo indireto, sim. Como foi Mário Covas em São Paulo. A exemplo de todos os prefeitos de capitais. Era a lei. Em 1982, elege-se, em eleições diretas, governador do Rio Grande do Norte. E rigorosamente toda a sua vida política foi feita segundo o escrutínio democrático. Aliás, diga-se, ele tem em seu favor o que Dilma não teve até agora: voto.
Se Agripino chegou a ter alguma vocação antidemocrática, guardou-a para si, porque ela nunca teve relevância. Ignora-se. Ser tratado como bandido também é assassinato, também é tortura, mais aí de reputação — e perpetrado em plena democracia. Já sobre as convicções democráticas pregressas de Dilma, o senador nada precisa dizer, eu digo: ela queria uma ditadura comunista. O grupo a que pertencia praticava atentados terroristas e assaltos. Verdade ou mentira?
Ela deveria ter sido torturada por isso? A pergunta é ridícula. É óbvio que não. Quem justifica tortura hoje em dia são os defensores e apoiadores de Fidel Castro — não eu ou, que eu saiba, o senador Agripino. E esses iluminados estão no governo que Dilma Rousseff integra. Quem se deixou fotografar fotografando o ditador moribundo, mas ainda assassino, foi Lula.
Agripino também não foi um dos signatários do AI-5, como foi, por exemplo, Delfim Netto — cuja inteligência admiro, deixo bem claro —, hoje um dos conselheiros de Lula. Querer tratar o DEM como herdeiro da ditadura é uma falácia. A Arena não existe mais — e tanto é assim que muitos ex-arenistas, golpistas de primeira hora incluídos, estão hoje com Lula. Usar o estado para produzir dossiês contra adversários é uma manifestação de exceção na democracia, é uma espécie de tortura exercida por outros meios. Pespegar num democrata — referência à índole de Agripino, não a seu partido apenas — a pecha de amigo da tortura também é tortura, também é assassinato; no caso, um assassinato de reputação.
A forma como ele fez a pergunta foi, sem dúvida, infeliz — para ele, não para ela. Certamente pretendia ressaltar que o estado de exceção, por meio do horror da tortura, impunha a mentira. E que cumpre dizer a verdade na democracia. Mas se expressou mal, e Dilma aproveitou para exaltar o seu heroísmo. Acontece que a tortura diz muito do caráter do torturador — um ser desprezível — mas pouco do caráter do torturado. Submetido às piores agruras, o que ele diz deixa de ter relevância. O que quero dizer com isso? A tortura não confere exclusivismo moral a ninguém. E considerar o contrário, diferente do que parece, é piscar um olho para o horror. Falo mais a respeito no post abaixo.
Reitero: estão querendo submeter Agripino ao pau de arara da mentira, à cadeira do dragão da mistificação.
Alto lá! Em março de 1964, Agripino tinha, precisamente, 19 anos e um mês. No AI-5, em 1968, 23 anos. Sua carreira política só começou em 1979, nomeado prefeito de Natal — de modo indireto, sim. Como foi Mário Covas em São Paulo. A exemplo de todos os prefeitos de capitais. Era a lei. Em 1982, elege-se, em eleições diretas, governador do Rio Grande do Norte. E rigorosamente toda a sua vida política foi feita segundo o escrutínio democrático. Aliás, diga-se, ele tem em seu favor o que Dilma não teve até agora: voto.
Se Agripino chegou a ter alguma vocação antidemocrática, guardou-a para si, porque ela nunca teve relevância. Ignora-se. Ser tratado como bandido também é assassinato, também é tortura, mais aí de reputação — e perpetrado em plena democracia. Já sobre as convicções democráticas pregressas de Dilma, o senador nada precisa dizer, eu digo: ela queria uma ditadura comunista. O grupo a que pertencia praticava atentados terroristas e assaltos. Verdade ou mentira?
Ela deveria ter sido torturada por isso? A pergunta é ridícula. É óbvio que não. Quem justifica tortura hoje em dia são os defensores e apoiadores de Fidel Castro — não eu ou, que eu saiba, o senador Agripino. E esses iluminados estão no governo que Dilma Rousseff integra. Quem se deixou fotografar fotografando o ditador moribundo, mas ainda assassino, foi Lula.
Agripino também não foi um dos signatários do AI-5, como foi, por exemplo, Delfim Netto — cuja inteligência admiro, deixo bem claro —, hoje um dos conselheiros de Lula. Querer tratar o DEM como herdeiro da ditadura é uma falácia. A Arena não existe mais — e tanto é assim que muitos ex-arenistas, golpistas de primeira hora incluídos, estão hoje com Lula. Usar o estado para produzir dossiês contra adversários é uma manifestação de exceção na democracia, é uma espécie de tortura exercida por outros meios. Pespegar num democrata — referência à índole de Agripino, não a seu partido apenas — a pecha de amigo da tortura também é tortura, também é assassinato; no caso, um assassinato de reputação.
A forma como ele fez a pergunta foi, sem dúvida, infeliz — para ele, não para ela. Certamente pretendia ressaltar que o estado de exceção, por meio do horror da tortura, impunha a mentira. E que cumpre dizer a verdade na democracia. Mas se expressou mal, e Dilma aproveitou para exaltar o seu heroísmo. Acontece que a tortura diz muito do caráter do torturador — um ser desprezível — mas pouco do caráter do torturado. Submetido às piores agruras, o que ele diz deixa de ter relevância. O que quero dizer com isso? A tortura não confere exclusivismo moral a ninguém. E considerar o contrário, diferente do que parece, é piscar um olho para o horror. Falo mais a respeito no post abaixo.
Reitero: estão querendo submeter Agripino ao pau de arara da mentira, à cadeira do dragão da mistificação.