terça-feira, janeiro 30, 2007

Médicos em emergência

Médicos em emergência

EDITORIAL
Folha de S. Paulo
30/1/2007

DOS ESTUDANTES de medicina que se formaram no ano passado no Estado de São Paulo, 38% foram reprovados num exame de proficiência aplicado pelo Conselho Regional de Medicina (Cremesp). É um resultado preocupante.
Uma taxa de quase 40% de insucesso num setor tão importante como a medicina já seria grave sob quaisquer circunstâncias. Muito pior quando se sabe que esse número está subestimado.
A prova do Cremesp não é obrigatória nem necessária para o exercício da profissão. Candidatam-se a fazê-la só formandos que se sentem preparados. Se todos os 2.203 alunos do sexto ano em 2006 tivessem realizado o teste (e não apenas 688), os resultados teriam sido ainda mais alarmantes. Na versão 2005 do exame -a primeira aplicada- a taxa de reprovação ficou em 31%.
O próprio desempenho dos alunos revela que é urgente tornar obrigatório e nacional o exame de proficiência para médicos recém-formados, mais ou menos nos mesmos moldes do teste para advogados da OAB.
Os alunos, decerto, não têm culpa pela proliferação de escolas médicas -já são 29 no Estado de São Paulo- nem pelo baixo nível de alguns desses cursos, que deveriam ser fiscalizados pelo poder público. Vale mais, porém, o direito do cidadão de não ficar à mercê de médicos com graves falhas de formação.
Para agravar o quadro, por uma série de distorções históricas no Brasil médicos recém-formados costumam ser contratados para dar plantões em unidades de emergência. São alocados justamente onde a experiência clínica e a boa formação técnica podem evitar o pior.

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