Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, junho 15, 2006

Folha de S.Paulo - Rio de Janeiro - Carlos Heitor Cony: Esquadras e tropas de choque - 15/06/2006

RIO DE JANEIRO - Fiquei espantado com a indignação geral causada pela
depredação da Câmara. Foi unânime a consideração de que se tratava de
um ato de "vandalismo". Do presidente da República ao mais
insignificante escriba da praça, todos falaram em vandalismo.
Acontece que os vândalos são de outros tempos, tempos antigos, e
tinham motivações em geral guerreiras, saqueavam cidades indefesas,
matavam, roubavam, incendiavam, estupravam, eram realmente vândalos e
se diferenciavam de outros guerreiros, que, mesmo lutando, não
ultrapassavam certos limites.
O episódio da semana passada remete a um tipo de vandalismo mais
recente e letal. Lembra as arruaças promovidas pelos nazistas na
Alemanha antes da subida de Hitler ao governo e, na Itália, quando
Mussolini queria arrancar alguma medida fascista que aumentasse o seu
poder. Um e outro botavam nas ruas suas tropas de choque, assustando
a sociedade e agredindo a ordem vigente. Só pararam quando a ordem
vigente foi a deles, o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália. A
partir de então, os mesmos arruaceiros eram os vigilantes da nova ordem.
Longe de mim atribuir a Lula qualquer nexo com Hitler ou Mussolini.
Mas seu partido, engolfado na onda de corrupção inédita na história
dos partidos nacionais, sempre teve uma conotação totalitária, de
conseguir seus objetivos na marra, na base do pau. E, em alguns
casos, até mesmo em episódios suspeitos que terminaram em mortes.
Lula não precisa das "squadre" fascistas nem de "SS" nazistas para se
reeleger. Mas o programa de salvação nacional, sobre o qual fez sua
carreira até chegar lá, vem motivando não apenas a corrupção
desenfreada mas a violência, que, lá atrás, muito lá atrás, era a dos
vândalos e, mais recentemente, a dos nazistas e fascistas.

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