Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, junho 14, 2006

CELSO MING Platitude tucana

  Estado

ming@estado.com.br

Se depender apenas dos programas econômicos de cada um, o eleitor não vai conseguir diferenciar a candidatura Lula da candidatura Alckmin.

As propostas da política econômica do PT para o próximo governo já haviam sido anunciadas há dois meses e foram comentadas aqui na edição dos dias 12 e 13. Só diferem da política do atual governo Lula nas proposições de política monetária. O PT não diz como pretende derrubar os juros, mas não esconde que considera o Banco Central, como hoje está estruturado, um obstáculo. Por isso, quer o Banco Central sob controle dos políticos (nada de autonomia...), como fomentador do desenvolvimento econômico e não só como xerife da moeda.

Domingo, quando da oficialização da candidatura Alckmin, saiu o programa de governo do PSDB, que pretende "aproximar a realidade do sonho".

O documento da oposição é um amontoado de platitudes e proposições destituídas de conteúdo. Fala em "mais crescimento econômico com mais oportunidades; menos imposto, mais investimento; um novo Estado desenvolvimentista; crescer reduzindo as desigualdades regionais; apoio ao Brasil empreendedor; preservação do meio ambiente sem burocracia; reinventar as cidades; e política externa para uma integração soberana".

Lá pelas tantas, proclama que "o Brasil terá uma Política Econômica maiúscula para o Brasil voltar a ser grande". Não há nenhuma indicação do que esse jogo de palavras possa significar. E, de maiúsculo, só mesmo as iniciais da expressão Política Econômica - como que a reforçar a grafia para tentar suprir a falta de densidade.

A candidatura Alckmin se compromete a dar racionalidade ao sistema tributário. Sustenta que "é necessário extinguir muitas contribuições e impostos". Mas não dá nenhuma indicação de que contribuições e impostos desaparecerão nem de como a redução de receita seria reposta. Qualquer um sabe que não basta dizer que a carga tributária é insuportável; é preciso dizer que reforma tributária se pretende e se há nela algum sentido de urgência.

A grande incógnita fiscal chama-se sistema previdenciário, cujo déficit se precipita em direção ao olho do redemoinho. Também a respeito desse assunto, não se encontra uma palavra sequer no programa do PSDB, como também não existe no do PT. Está claro que os candidatos não querem falar em cortes inevitáveis no orçamento futuro dos velhinhos.

As grandes questões também não são mencionadas. O candidato Alckmin vem denunciando que o presidente Lula está promovendo uma "farra cambial". Outras vezes, também mencionou que o dólar está excessivamente barato. Mas não há no Programa pistas de como pretende corrigir eventuais distorções nesse campo.

Os juros têm de cair, é claro, mas ninguém fica sabendo como isso acontecerá e se o candidato tucano defende alguma alteração importante no sistema de metas de inflação.

Nesse capítulo, o PT é pelo menos mais claro: defende novas funções para o Banco Central. Mas o PSDB simplesmente se cala sobre isso. Não critica o programa do PT, não critica a atual política econômica do governo Lula nem avança no que pudesse ser o dele.

Alguém pode dizer para que servem programas assim.

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